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2018 será bom. Mas não será fácil!
04 jan '18

Foto: © Creativa Images

Gostaria de começar o ano proporcionando uma leitura agradável, otimista, mas acredito que o varejo farmacêutico, neste ano que se inicia, vai exigir muita competência, profissionalismo e inovação de seus gestores.

O setor continua sendo atrativo e não apresenta barreiras de entrada – atrai inclusive pequenos investidores que têm a percepção de que a farmácia é um negócio que pode ser muito bem-sucedido, pois todo mundo precisa de remédios, do nascimento até morrer. E cada vez mais, já que estamos vivendo mais e, portanto, passamos mais tempo tratando de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, depressão, etc. Existe um crescente déficit do governo para tratar da saúde da população. O número de idosos está aumentando – hoje já são 14% da população. Epidemias sazonais, novas enfermidades que não se manifestavam, pois as pessoas morriam antes de sua instalação, aumentam exponencialmente o público de farmácias e drogarias, atraindo o olhar de empreendedores e grandes investidores. Portanto a concorrência vai continuar, e até se intensificar, com a entrada no mercado de novas empresas e a realização de fusões, aquisições – sem falar na venda crescente de produtos por canais digitais. Além do mais, a economia sinaliza uma recuperação lenta, o que indica um 2018 melhor que 2017. Mas, repito, não será fácil.

É ano de eleições e Copa do Mundo. Muitos empreendedores e empresários do setor não procuram orientação e informações sobre o mercado e suas particularidades. E não se atualizam, o que tem levado empreendedores a perder, além do investimento, a saúde. Uma coisa é certa: por mais que você ame o que faz, se o dinheiro acaba, o amor morre. Quem pretende investir no varejo farmacêutico, ou é empresário do setor, deve ter o firme objetivo de ganhar dinheiro; não deve ser este o propósito ou a alma da farmácia. Mas, sem lucro, o negócio não existe! E isso não obriga ninguém a ser antiético e/ou não respeitar as regulamentações do setor.

Obriga-nos, sim, a não só atender as regulamentações sanitárias como conhecer profundamente o negócio e o mercado em que a farmácia está inserida; fazer uma gestão financeira profissional, ter estratégia, saber lidar com pessoas, ter uma cultura voltada para a inovação e aplicar ferramentas de marketing. A farmácia é um negócio que exige alto volume de vendas para ser rentável. Assim, temos que nos capacitar continuamente e construir equipes de alta performance. Sabemos do baixo desempenho do varejo farmacêutico no Brasil, onde uma boa parte das empresas não investe em atendimento ao cliente, não conhece os principais indicadores financeiros que devem ser controlados, não sabe elaborar um mix adequado à sua realidade e, portanto, acaba tendo muita ruptura de estoque (falta de mercadoria) e excesso de produtos obsoletos. Não sabe precificar produtos, não elabora campanhas de marketing, não tem metas e objetivos, não sabe nem aonde quer e/ou precisa chegar e, portanto, não tem nenhuma estratégia.

Quantas vezes, no ano que acaba de se encerrar, você participou de capacitações, treinamentos, cursos, convenções?
E sua equipe?

Inovação, novos modelos de negócios, prestação de serviços farmacêuticos de nada adiantam se não trouxerem ganhos maiores do que custam para serem prestados. Precisamos realizar pesquisas para verificar a necessidade, o desejo e o valor para a sociedade de um novo serviço, produto e inovação.

Uma lei que permite às farmácias prestar uma grande variedade de novos serviços está para ser sancionada pelo governador de São Paulo – e pode ser uma grande oportunidade para remodelar o negócio. Mas será que temos conhecimento, profissionais capacitados, recursos e um processo estruturado para implantar esses novos produtos? Ou apenas uma parte das quase 85 mil farmácias terá estrutura e recursos para prestá-los, concentrando ainda mais o mercado? Podem esses serviços desequilibrar ainda mais o varejo farmacêutico? Será que farmácias de qualquer porte poderão, por exemplo, aplicar vacinas?

Hoje a informação e a educação também estão disponíveis a baixo custo na internet – o que me leva a concluir que é desinformado quem quer.

Portanto, se você pretende investir, ampliar o número de lojas, melhorar a rentabilidade, manter-se competitivo e permanecer no mercado, deve buscar capacitação contínua, informação junto às entidades do setor sobre o mercado e novas regulamentações, fazer uma gestão profissional da empresa, independentemente do porte, e ter estratégias para atingir os objetivos e metas de curto e longo prazo. A farmácia pode ser um negócio rentável, mas, com certeza, se não houver uma boa gestão, é a maneira mais rápida de perder tudo na vida.

Pense nisso – e implante um programa de capacitação contínua para todos os colaboradores, incluindo os gestores.

Dr. Juan Carlos Becerra Ligos
Para saber mais sobre este assunto: Cel. (11) 97578-1532 - juan@sincofarma.org.br

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