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A grande porta-voz
02 jun '16

Imagem: © Minerva Studio

A farmácia tem importante papel no combate às doenças endêmicas

Farmácias e drogarias desempenham um importante papel na ligação entre os elos da cadeia de produção, na dispensação dos medicamentos e nas políticas públicas de saúde.

Os consumidores, quando encontram dificuldades no atendimento básico sempre precário dos postos de saúde e hospitais, e ainda mais nos serviços com médicos especialistas, procuram frequentemente os estabelecimentos farmacêuticos como locais de orientação e indicação de condutas terapêuticas e minimização de seus problemas.

A capilaridade das farmácias – em torno de 72 mil unidades no país – pode e deve contribuir para que as informações, orientações e prevenções possam chegar rapidamente ao público, minimizando as doenças endêmicas, recorrentes no Brasil.

Mesmo sendo privadas, as farmácias têm enorme contato com a população e são acreditadas pelos laboratórios como ponto de comercialização de medicamentos – com seus balconistas, de preferência o farmacêutico responsável, desempenhando o papel de orientadores – pois o próprio consumidor favorece essa situação, devido à proximidade do contato e ao interesse em soluções rápidas.

Um ponto que faz a diferença, e estabelece credibilidade, é a presença obrigatória do farmacêutico na farmácia. Esse profissional, como se sabe, deve estar presente durante todo o horário de funcionamento do estabelecimento, o que garante a correta dispensação e as boas práticas farmacêuticas – mais uma razão para que a farmácia possa ser um polo divulgador de cuidados básicos à saúde.

Entretanto, existem incoerências nas ações governamentais no que tange a leis/decretos/normas e resoluções referentes aos serviços que podem ser prestados por esse setor. Existe, por exemplo, uma portaria de agosto de 2000 que prevê a oferta de vacinação em drogarias, mas, na prática, ela está inviabilizada, pois as regras se contradizem com as leis de controle sanitário que regulamentam o setor, no caso. Uma das exigências é que haja um consultório médico no local, o que é proibido por lei.

Segundo a ANVISA, é preciso garantir a qualidade do serviço em escala nacional – entretanto, o que se percebe é que vários postos oficiais de vacinação são inadequados sanitariamente para a prestação desse serviço.

A farmácia pode ser uma grande aliada do governo federal – mas este ainda não se apercebeu do enorme contingente de pessoas qualificadas para participar/apoiar a cruzada contra a maioria das doenças endêmicas que trabalham no varejo farmacêutico.

Ao analisar o cotidiano do mercado varejista farmacêutico, percebe-se, com frequência, que muitos consumidores pedem ajuda à farmácia, motivados pela insatisfação com a demora e a baixa qualidade do atendimento nos serviços de saúde – e pela maior proximidade e credibilidade do farmacêutico, com sua comprovada expertise no campo dos medicamentos.

A pouca informação da sociedade, por outro lado, pode estar favorecendo o agravamento das doenças endêmicas, já que há casos de usuários que se automedicam sem receber a orientação e o tratamento corretos.

As farmácias poderiam e deveriam ser responsáveis pela divulgação das práticas educativas para uso racional de medicamentos, além de resgatar a humanização do atendimento e ser um porta-voz das orientações oriundas da classe médica a respeito das doenças endêmicas.

Nesse cenário, acreditamos que o empresariado se engajará de forma direta e total nas politicas públicas, gerando uma capilaridade atualmente inexistente, e a baixíssimo custo operacional e social.

A farmácia, enfim, poderá inserir sua atividade empresarial dentro de um equilíbrio de três pilares: sustentabilidade, rentabilidade do negócio e promoção da saúde.

Esperamos que os órgãos governamentais façam sua parte e acreditem no poder de aglutinação e promoção da saúde pelas farmácias.

Por: Mauro Pacanowski, Professor FGV, UFRJ e ESPM e consultor de empresas.

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