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A responsabilidade da indústria
06 dez '16

Foto: © Minerva Studio

As farmácias e drogarias desempenham um papel importante de ligação entre a cadeia de produção e a dispensação de medicamentos – algumas vezes substituindo a consulta médica e a própria unidade de saúde. Em nosso país, a presença do farmacêutico é obrigatória durante todo o horário de funcionamento da farmácia, o que configura a importância do farmacêutico, fato reconhecido quando este profissional é proativo e participativo ao se apresentar ao paciente e solicitar a receita.

Por outro lado, na ausência do farmacêutico, por algum motivo especifico é comum a atuação de balconistas desempenhando o papel de prescritores, pois o próprio paciente favorece essa situação, devido à busca de soluções rápidas para seus problemas. Atualmente, com a introdução do modelo de assistência e atenção farmacêutica em locais segregados dentro das farmácias, estas servem como locais de orientação e indicação de condutas terapêuticas para diversas especialidades médicas.

Considerando-se que nenhum fármaco é totalmente inócuo ao organismo humano, é permitido supor que deve existir uma fiscalização constante e persistente, para se conhecer e identificar quais as práticas positivas desenvolvidas pelo farmacêutico, e de que forma as pessoas atendidas percebem se a conduta está atendendo às suas necessidades.

Nem sempre os primeiros sintomas são indícios seguros de determinada patologia, além do que a busca por assistência médica pode ser protelada ou mesmo evitada pelo paciente, por comodidade ou praticidade, confiando em farmacêuticos ou atendentes de farmácia, o diagnóstico da possível enfermidade.

E, neste ponto, a indústria passa a ter uma enorme responsabilidade, pois a visita de um propagandista à farmácia deve ter como prioridade não a venda, mas sim a interação com o farmacêutico, reconhecendo sua importância e prestando total apoio e informações sobre a sua linha de medicamentos, lançamentos e programas de fidelidade, estimulando e intensificando o relacionamento técnico, não apenas a discussão em torno das vendas.

Independentemente de a farmácia ser um local cuja atividade empresarial é fundamental para sua sobrevivência, ela tem como foco a comercialização de medicamentos – com forte regulação, que deve ser observada e percebida como um parâmetro de responsabilidade ética e em conformidade com as boas práticas de conduta. Por outro lado, a indústria deve ser solidária e dedicar cada vez mais tempo à orientação farmacêutica do ponto de vendas. Afinal, o que se espera é a satisfação do paciente/cliente/consumidor.

Por: Mauro Pacanowski, Professor FGV, UFRJ e ESPM e consultor de empresas.

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