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Asma, bronquite e bronquiolite. Qual é a diferença? Quais são os tratamentos?
06 jul '18

Foto: © gamelover

Como se distinguem bronquite e bronquiolite? E no que essas duas diferem da asma? As três doenças podem dar chiado no peito e dificuldade para respirar. Mas é importante saber as diferenças entre os três quadros – como ensina aqui a Dra. Ana Escobar, professora livre-docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP.

Tosse, peito chiando, respiração acelerada e dificuldade até para falar ou chorar. Os músculos acessórios dos movimentos respiratórios entram em ação para ajudar a expandir os pulmões. Parecem respirar com a barriga de tanta força que fazem. Esse é o quadro de muitas crianças nesta época do ano, véspera do inverno. Pais procuram o pediatra e descobrem que, às vezes, o diagnóstico é bronquite. Em outra crise, porém, o médico crava… bronquiolite. No inverno seguinte, os mesmos sintomas - mas é… asma. Claro que isso gera muitas dúvidas entre os pais, que gostam de estar sempre sintonizados com os sintomas dos filhos. A Dra. Ana Escobar, sempre didática, explica: “Imagine as vias respiratórias como uma árvore. Os troncos maiores seriam os brônquios. Os galhos menores seriam o equivalente aos bronquíolos.

A bronquite é uma inflamação nos brônquios e pode ser causada por vírus ou bactérias. Pode acometer crianças de várias idades, não é hereditária e às vezes antibióticos são prescritos para o tratamento. Já a bronquiolite é uma inflamação consequência de uma infecção causada por vírus e localizada nos bronquíolos – na maior parte das vezes, o vilão é o VRS, ou Vírus Sincicial Respiratório. Causa respiração rápida com exalações forçadas e longas, febre frequente, chiado no peito e tosse. Geralmente acomete bebês ou crianças pequenas. Pelo fato de seu aparelho respiratório não estar totalmente desenvolvido, bebês prematuros e menores de um ano correm risco maior de contrair a doença. Não é hereditária. Já a asma também é uma forma de inflamação dos brônquios. Só que geralmente não tem infecção associada e ocorre junto com um ´espasmo´ dos brônquios. Isto é, o músculo que envolve os brônquios ´aperta´, fechando e dificultando a passagem de ar. A asma é hereditária e característica de crianças maiores”.

Nas três situações, por causas diferentes, o resultado é o mesmo: a passagem de ar fica muito difícil, como um túnel que estreita. Por isso os sintomas são mesmo muito parecidos. Mas cada uma tem sua causa – e, por isso, cada uma dessas afecções pode ter uma indicação de tratamento diferente.

Como tratar

Antes de se falar em medicamentos específicos, é bom saber:

- Com a nossa “árvore” respiratória não se brinca. Os pais devem evitar sempre a automedicação e buscar orientação médica para que suas crianças respirem livremente.

- Vaporizações podem aliviar os sintomas

- Cerca de metade dos bebês que contraem bronquiolite desenvolvem asma na infância.

- Não há tratamento específico para vírus VRS, causador da bronquiolite. Por isso, muitas crianças com esse diagnóstico que se encontram em estado de sofrimento respiratório ficam internadas para garantir a boa oxigenação do organismo. O quadro dura de 7 a 10 dias e geralmente evolui bem.

- O sintoma mais exuberante da bronquite, aguda ou crônica, é a tosse com catarro, pois as pessoas acometidas tossem para expelir as secreções que purgam nas vias respiratórias inflamadas. O tratamento da bronquite depende da sua causa e inclui também a limpeza das vias aéreas e a manutenção da oxigenação do organismo. Quando se suspeita de bronquite de causa bacteriana, os antibióticos podem ser indicados.

- O broncoespasmo inflamatório que caracteriza a asma, com falta de ar, chiado no peito e muito desconforto para respirar, tem causas genéticas e pode ser desencadeado por alérgenos ambientais, como cheiros específicos, pó ou pólen, por exemplo. Cada pessoa pode ter um desencadeante diferente. A doença evolui com períodos assintomáticos e períodos de crises. Hoje há muitas medicações para evitar que as pessoas suscetíveis entrem em crises agudas de risco.

Remédios contra a crise

Alguns medicamentos atuam especificamente nos brônquios, dilatando-os rapidamente. Isso permite a passagem mais tranquila do ar. Por isso estes remédios são chamados de “broncodilatadores”. Como eles precisam chegar rápido ao pulmão, esses medicamentos podem ser administrados por duas vias: inalação (também conhecida como nebulização) ou bombinha (aerossol dosimetrado). Na inalação, o remédio é adicionado ao soro fisiológico. O aparelho transforma esta combinação em uma “nuvem” ou “fumacinha” que deve ser inalada por 5 a 10 minutos, em média, para que toda a medicação seja administrada. Já na bombinha, o medicamento fica dentro de um frasco, guardado sob pressão. Quando o pressionamos, ele já sai na dose certa para ser inalado. Como crianças e algumas pessoas não conseguem coordenar a inspiração e o jato, há os espaçadores, ou aerocâmeras – uma espécie de tubinhos colocados entre o frasco e a boca. Isso facilita a aspiração e faz com que a dose completa e exata chegue aos pulmões em 30 segundos. Isto é muito rápido. Por isso, muitos médicos recomendam as bombinhas, porque elas permitem que os brônquios sejam dilatados rapidamente deixando a passagem livre para uma respiração tranquila.

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