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Bate, coração
08 ago '17

Foto: © lenets_tan

Cardiologista do Hospital Sirio-Libanês de São Paulo, que tem um dos mais avançados centros cardiológicos do país, o Dr. Sérgio do Carmo Jorge faz um raio-x da especialidade e explica alguns dos mistérios do coração.

Celebra-se em agosto o Dia do Cardiologista. Entre os mais recentes avanços da Cardiologia, o que se deve comemorar com mais entusiasmo?

Para lembrar apenas dois dos maiores avanços da cardiologia nos anos recentes, destaco uma nova linha de medicamentos que abaixam o colesterol, mais potentes que os até agora existentes, principalmente para os pacientes que não respondiam às doses máximas das chamadas estatinas – criando assim uma nova perspectiva para uma parcela de pacientes que não respondiam a tratamentos até agora disponíveis. O outro grande avanço a destacar são as cirurgias cardíacas minimamente invasivas com cortes menores, sem ter que abrir o tórax totalmente, com incisões cada vez menores – através de robôs, por exemplo. Hoje também se faz troca de válvula, principalmente a aórtica, sem precisar operar o paciente com o coração aberto – mas através de catéteres, com resultados tão bons como a cirurgia convencional.

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte nos países desenvolvidos?

As doenças cardiovasculares são ainda a causa mais frequente de morte. Em segundo lugar, o câncer. Com as recentes conquistas da medicina, os pacientes não morrem tão cedo como antigamente – mas um dia vão morrer do coração. Portanto nós apenas, e não é pouco, “atrasamos” a morte por doença cardiovascular significativamente, mas a doença é evolutiva e, a longo prazo, ela se transforma em situação em que não há mais recursos terapêuticos.

Hipertensão, tabagismo, colesterol elevado e glicemia fora de controle continuam compondo uma “bomba-relógio” contra o coração? Qual desses fatores se constitui no maior risco para o coração?

O maior risco de doença cardiovascular é o fator hereditário. E o caráter hereditário é imutável. Não há como alterar esse fator de risco, por enquanto. Não se consegue alterar o código genético.

Temos hoje soluções preventivas e terapêuticas eficientes para esses fatores de risco? Quanto do sucesso depende do paciente?

Fora o aspecto genético, que é imutável, todos os outros são minimizados desde que o paciente “escute” e siga as orientações dos profissionais competentes, com resultados muito satisfatórios.

Qual foi o maior avanço das cirurgias de vascularização?

A cirurgia através dos robôs, quando as incisões são bem menores, propiciando uma recuperação mais rápida.

A morte súbita ainda é o primeiro sintoma em 40% dos infartos do miocárdio?

Sim, cerca de 50% dos pacientes com infarto abrem o quadro com uma parada cardíaca – e apenas cerca de 10% têm chance de sobreviver, porque foram tratados precocemente por uma pessoa que tem conhecimento de manobras de ressuscitação cardiovascular, dentro ou fora do hospital.

Para evitar essa surpresa fatal, que tipo de exame devemos fazer, a partir de que idade?

Se a pessoa tem antecedentes familiares importantes, como irmãos e pais que tiveram complicações cardíacas, como infarto e angina por volta dos 45 anos, aos 55 anos, no máximo, ela deve ser rapidamente analisada como potenciais doentes do coração de alta periculosidade.

A incidência do infarto tem aumentado entre mulheres. Quando isso começou?

Quando as mulheres passaram a usar pílula anticoncepcional e adotar hábitos que eram essencialmente masculinos, como fumar.

No Dia do Cardiologista, que mensagem um cardiologista deve passar ao público?

Escute o cardiologista como seus pais. Faça o que ele manda. Não ponha o dedo na tomada porque você vai, com certeza, tomar um choque.

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