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Câncer de Mama. Cada vez mais jovem?
09 out '17

Foto: © Syda Productions

O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades. Por isso, o movimento internacionalmente conhecido como Outubro Rosa é celebrado em todo o mundo, neste mês. É o tipo de câncer mais comum entre as mulheres, no mundo e no Brasil - depois dos tumores de pele dos tipos não-melanoma: responde por cerca de 28% dos casos novos da doença em mulheres a cada ano. Mas há um aspecto da doença que particularmente vem chamando a atenção dos especialistas: o aparecimento de casos em mulheres cada vez mais jovens. Há uma explicação para isso? Aqui, o Dr. Antonio Frasson, mastologista do Hospital Albert Einstein, apresenta algumas probabilidades para essa preocupante precocidade.

Ele explica que, ao se falar em mulheres mais jovens, os especialistas consideram os tumores diagnosticados antes dos 50 anos – que hoje apresenta incidência mundial de 5 a 7%. Mas, nos últimos anos parece haver um aumento do diagnóstico em mulheres com menos de 40 anos. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam para um acréscimo de 2,6% na porcentagem de aparecimento do câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos entre 2010 e 2015. Por que isso vem acontecendo? São quatro as razões mais decisivas:

Melhora nos métodos de imagem e diagnóstico de câncer de mama

O avanço tecnológico dos exames de imagem tem proporcionado o diagnóstico de lesões precoces, caracterizando o que podemos chamar de antecipação diagnóstica. Nos locais onde os exames estão sendo feitos, diagnostica-se mais câncer, de forma precoce.

Perfil obstétrico

Mulheres com a primeira gestação após os 30 anos de idade, ou que não têm filhos, ou que não amamentaram, apresentam risco maior para câncer de mama. Hoje, elas têm adiado a maternidade, muitas vezes tendo filhos após os 40 anos.

Sedentarismo

O estilo de vida moderno tem tornado as mulheres mais sedentárias. Alguns estudos sugerem que quatro a sete horas de exercícios físicos semanais podem reduzir o aparecimento de neoplasia mamária em até 20%.

Ingestão de álcool

O consumo de álcool está associado ao aumento do risco de câncer de mama. Estudos demonstram um aumento de 10% nos casos a cada 10 gramas de álcool (uma taça de vinho tem em média 14 gramas de álcool).

Faltam estudos nacionais mais abrangentes e, no entanto, sabe-se que o número de casos vem aumentando no Brasil e que o risco é maior em países em desenvolvimento – como o nosso, que apresenta diferentes condições sociais –, em pessoas obesas e naquelas com menor acesso aos programas de saúde. Segundo o Dr. Frasson, para interromper essas estatísticas é importante manter hábitos de vida saudáveis, relacionados com alimentação e estilo de vida, que podem contribuir com uma redução em até 28% no risco de desenvolver o câncer.

1. Ser mãe depois dos 30 anos aumenta chance de desenvolver câncer de mama.

Verdade. Se a mulher engravida mais tarde, isso significa que ela menstruou mais vezes ao longo da vida e, assim, recebeu mais hormônios estrogênio e progesterona, que estimulam as células mamárias a se reproduzirem, podendo evoluir para um câncer.

2. O câncer é sempre um caroço? Ele dói?

A maioria dos caroços da mama são benignos. O câncer em fase inicial não apresenta nenhum sinal e só é detectável por algum tipo de exame, sobretudo a mamografia, e não dói.

3. Mamas grandes têm maior risco de câncer?

O tamanho das mamas é geneticamente determinado. E o volume não está relacionado ao risco de desenvolver câncer. O que pode alterar o tamanho delas é gravidez, amamentação e aumento/diminuição de peso. O câncer raramente causa aumento das mamas.

4. O câncer de mama é hereditário? Se algum parente tiver eu também terei?

Não necessariamente. Somente em 5% dos casos o câncer está relacionado ao fator genético. Deve-se desconfiar de câncer hereditário quando existem várias pessoas da mesma família com câncer de mama, ovários, intestino, pâncreas, próstata, entre outros, e em pessoas em idade mais jovem. Câncer de mama em algum homem na família e câncer de mama bilateral em alguma parente próxima também chamam a atenção para esse fator.

5. Homens podem desenvolver câncer de mama?

Sim, mas a incidência é de apenas 0,08%, representando apenas 0,17% de todos os tumores malignos masculinos. Nódulos mamários em homens merecem investigação, principalmente quando apresentam consistência dura e não doem ao toque.

6. Amamentar protege contra o câncer de mama?

Sim, vários estudos comprovam que a amamentação é um fator de proteção contra o câncer de mama. Amamentar por 12 meses, continuamente ou não, reduz em 35% o risco de desenvolver o câncer. Quanto maior o tempo de amamentação, maior a proteção.

7. Fumar e consumir bebidas alcoólicas pode causar câncer de mama?

O consumo de qualquer quantidade de bebidas alcoólicas é um fator associado ao aumento do risco de desenvolvimento de câncer de mama há muito tempo conhecido e cientificamente comprovado. Em relação ao cigarro, muitos estudos foram inconclusivos, mas pesquisas nos últimos cinco anos tendem a demonstrar o aumento do risco de desenvolvimento do câncer de mama em mulheres que iniciam o hábito de fumar antes da primeira gestação.

8. Usar sutiã apertado aumenta o risco de câncer de mama?

Não existe nenhuma relação.

9. Existe alguma relação entre alimentação e câncer?

Sim. Alguns alimentos, quando consumidos regularmente e por longo período de tempo, fornecem mais condições para a célula cancerosa se desenvolver e multiplicar: carnes vermelhas, frituras, maionese, leite e derivados integrais, bacon, presunto, salsicha, linguiça, mortadela, etc, enfim, alimentos ricos em gordura. Outros alimentos apresentam efeito redutor de risco: soja em grãos e seus derivados, alimentos ricos em ômega-3 (linhaça e nozes, por exemplo) e em licopeno (mamão, tomate).

10. Uma mulher que faz o autoexame frequentemente e nunca achou nada de diferente precisa fazer a mamografia mesmo assim?

Sim. O autoexame é muito importante para conhecer a própria mama e com isso notar qualquer alteração visível ou palpável, mas não substitui a mamografia. O exame mamográfico é capaz de detectar tumores não palpáveis, isto é, tumores em estágios bem iniciais, o que é essencial para ter melhores chances de cura.

Salvo casos excepcionais de hereditariedade familiar comprovada, a primeira mamografia deve ser feita entre os 35 e 40 anos – esse primeiro exame servirá de base para avaliar as condições da mama e possibilitar exames comparativos futuros. Após os 50 anos, todas as mulheres devem se submeter ao exame de mamografia anualmente. Mas o autotoque é sempre uma das bandeiras das campanhas do Outubro Rosa: ninguém pode conhecer melhor suas mamas e descobrir alterações como a própria mulher.

Mais informações: www.setoque.org.br

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