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Carnaval 2016. Depois da festa
03 fev '16

Imagem: Roberto Tostes

Maior festa popular do país, o Carnaval sempre traz consigo, como efeito colateral da alegria incontida, armadilhas que podem ser evitadas para não estragar a folia – a começar do abuso do álcool. Também preocupa o aumento do risco de contágio de doenças bacterianas e virais – neste último caso, o herpes labial, por exemplo, além de outras moléstias sexualmente transmissíveis. Aqui, especialistas ensinam o folião a “pular” esses perigos com medidas de prevenção básicas, mas muito eficientes. Pequenas dicas ajudam a amenizar o mal-estar após uma noite de excessos

Inicialmente, para não perder um minuto da folia, não descuide da dieta. Segundo os especialistas, nesses dias de alegria excessiva o importante é não esquecer de se alimentar com qualidade. O nutricionista Marcelo Barros, do Instituto de Cardiologia de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, explica que não comer por causa da correria, da bebedeira ou da animação reduz a resistência imunológica e aumenta o risco de ficar doente ou com ressaca. Para quem vai passar o dia atrás de blocos, ele sugere um cardápio com comidas leves, como sanduíches naturais recheados com queijo minas e peito de peru, ricota com passas, cenoura e beterraba, ricota com damasco e peito de peru, ou pasta de ricota temperada com salsa, cebolinha e alho picado. “As frutas também são uma ótima opção, mas prefira as que ajudam a hidratar, como abacaxi, melancia, melão, pera, maçã e tangerina”. O nutricionista lembra que os dias de folia não são adequados para fazer dieta. Além de deixar o organismo fraco, a restrição alimentar causa a hipoglicemia (a perda de açúcar no sangue), que leva a tonteiras, vômitos, fraqueza e dor de cabeça.

Não esqueça da hidratação

A hidratação correta é essencial nos dias de calor e se torna ainda mais importante nos dias de festa. O ideal é beber cerca de 1,5 litro ao longo do dia (ou da festa). “O consumo de bebida alcoólica deve ser alternado com alguns copos de água para o folião poder aproveitar a festa por mais tempo. A água ajuda o sangue a conduzir os nutrientes, como glicose e vitaminas, para todo o corpo, diminuindo a intensidade da ressaca - explica o nutrólogo Daniel Magnoni, do Hospital do Coração (HCor) em São Paulo.

Nada de ressaca

Boca seca, cansaço, enjoos e aquela dor de cabeça intensa podem estragar o espírito festivo do melhor folião. O neurologista Abouch Krymchantowski, especialista em dor de cabeça, dá algumas dicas de como evitar ou amenizar o problema durante os festejos. “As bebidas alcoólicas contêm substâncias que dilatam os vasos sanguíneos, provocando dor de cabeça – explica o médico. O problema é agravado pela diminuição dos níveis de glicose e pela desidratação”. Misturar vários tipos de bebidas alcoólicas, alerta Abouch, só piora o mal-estar no dia seguinte. “Quanto mais álcool se bebe, mais intensa é a ressaca e, consequentemente, a dor de cabeça. No caso dos sofredores de enxaqueca, é interessante que tenham sempre à mão remédios à base de triptanos, que são os únicos específicos para as crises e devem ser tomados no início da dor, obviamente após prescrição médica”. Para a dor de cabeça simples provocada pela ressaca, o especialista recomenda que se evitem anti-inflamatórios, que agridem o estômago, e se dê preferência a analgésicos que contenham paracetamol ou dipirona. Os compostos reunindo anti-histamínico (maleato de pirilamina) para diminuir enjoos, analgésico (ácido acetilsalicílico) para aliviar dores, anti-ácido(hidróxido de alumínio) para acalmar a irritação da mucosa estomacal e cafeína para estimular o sistema nervoso central e acabar com o “corpo mole”, são bastante eficientes. Tomar um comprimido antes de beber concentrará essas substâncias no organismo o que, em teoria, fortalece-o para a intoxicação que vem a seguir.

Herpes: não tão simples assim

Chama-se herpes simples, para diferenciá-lo do tipo zóster, que tem um quadro clínico muito diferente. Mas o herpes simples, transmitido por um vírus, é uma infecção muito desagradável, não só por seu caráter recorrente como por afetar especificamente os lábios e a região genital. Nos lábios, caracteriza-se por pequenas vesículas agrupadas geralmente de um lado só da boca, embora na primeira infecção possa ocorrer quadros mais extensos. Aliás, a primeira infecção pelo herpes vírus costuma ser mais grave e o restabelecimento completo, mais demorado. As lesões podem espalhar-se pelos dois lados da face ou dentro da boca com aspecto semelhante ao das aftas.

Na fase final da evolução da doença, é comum o aparecimento de crostas. Como explica o Dr. Luiz Razzante Jr., o herpes vírus caminha pelas terminações nervosas e atinge a pele. Na epiderme (primeira camada da pele), produz alteração nas células e surgem pequenas vesículas agrupadas, que se assemelham a um cacho de uvas. Depois, essas bolhinhas ressecam, forma-se uma crosta e a lesão desaparece. Geralmente, a crise de herpes dura de 7 a 10 dias. Horas ou um dia antes do aparecimento das vesículas na pele, algumas pessoas pressentem a crise pelos sintomas desagradáveis de ardor, queimação ou coceira no local afetado, porque o vírus está replicando e caminhando pelo nervo.

A transmissão do vírus do herpes labial geralmente se dá na boca. A pessoa tem uma feridinha, entra em contato direto com o vírus pelo beijo ou pela saliva, por exemplo, ele penetra e procura um nervo onde fica latente até provocar uma infecção. Já o herpes genital é transmitido por via sexual e pode aparecer também nas nádegas ou na região perineal. O maior problema dessa doença, porém, é que, depois do desaparecimento das lesões, a infecção entra em estado de latência – podendo ocorrer, periodicamente, novas crises. A ocorrência das crises está intimamente relacionada com a imunidade. Se ela estiver baixa, o vírus replica, vence o exército de defesa do organismo e as crises se tornam mais frequentes. Se a imunidade estiver boa, os períodos de remissão podem ser longos.

Em algumas pessoas, uma pequena queda de resistência pode causar a infecção herpética. Outro gatilho é estresse físico ou psicológico, fadiga ou exposição solar – por causa desse último fator, crises de herpes labial são mais frequentes no verão. Lábios rachados pelo clima seco também são mais susceptíveis à infecção. Fotoprotetores labiais podem funcionar como preventivos – mas nem sempre conseguem evitar a crise. O herpes vírus é altamente infectante. A primeira orientação que se dá aos pacientes sempre diz respeito aos cuidados locais de higiene. Lavar bem as mãos e não furar as bolhas sob nenhum pretexto são outras recomendações importantes. É indispensável prevenir uma infecção secundária por bactéria, o que iria piorar muito o quadro.

Prazer com saúde

O mercado brasileiro de preservativos é um dos maiores do mundo. Além do impacto comercial produzido campanhas de sexo seguro realizadas pelo Ministério da Saúde, sobretudo no Carnaval, o crescimento da renda nos últimos anos aumentou os cuidados com a saúde na população de classes sociais mais baixas. Qual é a real importância dos preservativos nos dias de hoje? O psiquiatra Jairo Bouer, especializado em sexualidade na juventude, fala sobre o assunto com propriedade. “Todo mundo sabe muito bem que hoje em dia não dá para transar sem preservativo. Ele não atrapalha em nada o seu prazer, é só aprender a usar”, começa ele, resumindo o assunto. “E é bom ir se acostumando com ele desde a primeira transa. Assim, daí pra frente, você não vai nem pensar na hipótese de se esquecer da sua principal aliada para uma vida sexual mais segura”. A nova geração de jovens, apesar de ser muito mais bem informada sobre sexo, não viveu a pior fase da epidemia de Aids e, portanto, vê menos risco na doença – um erro que pode ter graves consequências. Isso sem falar na gravidez indesejada. Segundo Jairo, de cada cinco garotas, uma engravida no Brasil antes dos 18. Uma das desculpas mais frequentes é a de que o sexo não é tão bom com camisinha, que não é a mesma coisa. Outra é o medo do preservativo piorar o desempenho nas primeiras transas. Mesmo admitindo essas possibilidades, vale lembrar que essas sensações e temores podem ser ultrapassados com um pouco de prática, experiência, carinho e intimidade. “Por isso a camisinha é o passaporte para uma vida sexual mais feliz, tranquila e segura”. A camisinha é a melhor forma de proteção. Seu uso correto evita a transmissão do vírus da Aids, das DSTs e a gravidez.

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