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Chocolate. Irresistível. E polêmico
02 mar '16

Imagem: © Maya Kruchancova

Com a chegada da Páscoa, ele ganha a forma dos tradicionais ovos. Em qualquer formato, o chocolate é um dos alimentos mais amados do mundo – e um dos mais polêmicos também. O Brasil é o 3º maior consumidor e produtor de chocolate no mundo. Aqui, especialistas em nutrição analisam os prós e os contras do chocolate – sim, nem tudo é perfeito

A palavra, de origem grega, significa “alimento dos deuses”. Ele é capaz de eliminar tristezas e angústias e trazer em troca a sensação de bem-estar. Mas, como tudo em excesso, chocolate pode fazer mal, sobretudo para quem tem problemas de colesterol alto, diabetes e obesidade – e se tornou um chocólatra. Poucos sabem que o chocolate foi descoberto no coração da América do Sul, primeiro pelos antigos maias. Os desbravadores europeus, no século 15, também descobriram os encantos do cacau e se encarregaram de trazê-lo à “civilização”. E o mundo todo se rendeu ao sabor inconfundível desse verdadeiro néctar à base de cacau. Mas o que ele pode nos trazer de bom, além de cativar e até viciar o paladar? Em primeiro lugar, uma riqueza de sais minerais, como potássio, sódio e magnésio, e de substâncias como endorfina e teobromina, que têm o mesmo efeito da cafeína – ou seja, liberam sensação de prazer e de bem-estar. Para a psicóloga e membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, Elaine Pedreira Rabinovich, cada pessoa desenvolve uma relação com o chocolate, que pode ser desde uma dependência saudável até um vício que – como todo vício – causa mais mal do que bem. Mas esse seu lado vilão – aumento do colesterol e do diabetes, por exemplo – tem ficado em segundo plano diante dos benefícios descritos pelos cientistas. Um deles é seu aproveitamento na cosmética, através de diversos produtos que têm o chocolate em sua fórmula.

O chocolate do bem

Nos últimos anos, trabalhos científicos têm demonstrado efeitos positivos do chocolate sobre nosso sistema cardiovascular, graças sobretudo à sua grande oferta de flavonoides, substâncias encontradas em alguns vegetais – como o cacau – e que promovem o bom funcionamento dos vasos sanguíneos. Essas substâncias são as mesmas que fazem a boa fama das uvas e, por conseguinte, do vinho. Mas, como tudo na vida, o chocolate deve ser consumido com moderação. Em excesso, o chocolate – sobretudo o “ao leite” e mais ainda o branco – pode causar enxaqueca, irritações na pele, no estômago e na mucosa intestinal. O melhor tipo de chocolate para saúde é o amargo – que contém maior concentração de cacau. Já o branco e o ao leite apresentam pouca quantidade de flavonoides – e muita gordura, sobretudo o branco, feito da mistura da manteiga do cacau com leite e açúcar e considerado o tipo mais calórico de chocolate e o menos recomendado pelos nutricionistas. Já existem no mercado ovos de Páscoa especiais, como os diet/light, sem lactose, sem glúten, de soja. Contudo, é bom lembrar que esses chocolates devem ser utilizados com orientação, pois, no caso do chocolate diet, a quantidade de gordura presente é geralmente maior, não sendo indicado para indivíduos com colesterol alto ou sobrepeso.

Ovos de Páscoa: por quê?

Na Páscoa, a celebração da morte e ressurreição de Cristo serve como um momento especial para que os cristãos reflitam sobre o significado da vida. Contudo, muitos não conhecem a relação existente entre essa celebração de caráter religioso com o hábito de se presentear as pessoas com ovos de chocolate – e de comê-los. É preciso voltar no tempo em que o próprio cristianismo estava longe de se tornar uma religião. Em várias antigas culturas espalhadas no Mediterrâneo, no Leste Europeu e no Oriente, o uso do ovo como presente – símbolo de fertilidade – era algo bastante comum. Não por acaso, vários desses ovos eram pintados com gravuras que tentavam representar algum tipo de planta ou elemento natural.

Muitos desses povos realizavam rituais de adoração para Ostera, a deusa da Primavera. A deusa pagã era representada pela figura de uma mulher que observava um coelho saltitante enquanto segurava um ovo nas mãos. Nessa imagem, há a conjunção de três símbolos (a mulher, o ovo e o coelho) que reforçavam o ideal de fertilidade comemorado entre os pagãos. E eles chegaram até os dias de hoje, na Páscoa.

Até que chegássemos ao famoso ovo de chocolate, foi necessário o desenvolvimento da culinária e, antes disso, a descoberta do continente americano.

Foram os culinaristas franceses os primeiros a fabricar ovos de chocolate. Depois disso, a energia desse calórico extrato retirado da semente do cacau também reforçou o ideal de renovação, sistematicamente difundido nessa época.

Boa Páscoa!

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