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Clima seco: uma Copa de perigos
14 mai '18

Fotos: © vann K

O ar de cidades grandes já é normalmente bastante poluído pelos veículos, indústrias e queima de lixo. Durante o inverno – que este ano começa em 21 de junho, em plena Copa do Mundo, indo até 22 de setembro – geralmente chove menos, o que torna o ar mais seco e mais poluído. Muito comum nessa época do ano, a baixa umidade do ar pode desencadear uma série de complicações respiratórias e agravar doenças já existentes.

Portanto, quando o tempo fica mais seco, deve se colocar em prática as recomendações dos especialistas. Para a pneumologista Valeria Cristina Vigar, deve-se ficar em estado de atenção quando a umidade relativa do ar estiver entre 20 e 30%, e em estado de alerta ao cair a 12%. Abaixo desses níveis é decretado estado de emergência para os pulmões.

“Quanto menor for a umidade do ar, mais cuidados devem ser tomados para evitar complicações alérgicas e respiratórias”. Em consequência do tempo seco, o ressecamento das vias aéreas leva a doenças como rinite e rinossinusite, uma inflamação da mucosa que reveste a cavidade nasal, assim como a descompensação de asma e da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que diminuem a capacidade respiratória. “Os principais grupos de risco são os portadores de doenças respiratórias crônicas e os indivíduos mais expostos a ambientes de baixa umidade”, diz a Dra. Valéria.

Dicas:

- Mantenha arejados ambientes fechados, umidificando-os com vaporizadores ou recipientes com água nos dias mais secos

- Para evitar desidratação, é aconselhável consumir bastante líquido e evitar a prática de atividade física entre 10h e 16h

- Em casa, carpetes e cortinas que acumulam poeira devem ser lavados e aspirados com frequência. Atenção para os cantos dos cômodos que podem juntar pó, assim como beiradas de móveis e estrados de cama

- As vestimentas usadas nesse período também merecem um cuidado especial. Por ficarem dentro do armário, as roupas mais quentes, que só são usadas no inverno, devem ser lavadas e colocadas ao sol antes de usar, evitando o mofo e o odor desagradável.

Pneumonia: como se prevenir e tratar

Um diagnóstico de gripe, mesmo quando os sintomas são muito intensos, nunca assusta tanto quanto o de uma pneumonia.

Gripe x pneumonia

A gripe é uma doença aguda que acomete as vias respiratórias, causada pelo vírus Influenza, altamente contagiosa. Os sintomas são febre acima de 38°C, tosse, catarro, dores pelo corpo e mal-estar generalizado. Os efeitos da doença costumam durar mais ou menos sete dias. Para evitá-la, a recomendação é a vacina anual. Para tratá-la, uma vez instalada, não há muito a fazer a não ser utilizar remédios que aliviam os sintomas – e aguardar a reação do próprio organismo, que se encarregará de eliminar o vírus. Já a pneumonia se caracteriza como uma infecção nos pulmões que pode ser causada por vírus, bactéria, fungos e reações alérgicas.

Os sintomas são os mesmos da gripe, acrescidos de falta de ar, pressão baixa e até desmaios. E geralmente são mais duradouros do que os da gripe. Uma pessoa com pneumonia não infecta as outras facilmente e são necessários antibióticos para combater a doença. Às vezes, internação. Para se prevenir contra a pneumonia e evitar fatalidades, o Dr. Ricardo Teixeira, membro da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), aconselha vacinação pneumocócica para crianças com menos de dois anos, para maiores de 60 anos e em pacientes imunossuprimidos e portadores de doenças pulmonares crônicas, manutenção adequada do ar-condicionado (principalmente em instituição de saúde, para evitar infecção por germes atípicos) e procurar serviço médico se houver sintomas como tosse produtiva, falta de ar, dor torácica (que piora com a respiração) e febre.

Pneumonia em números

A pneumonia afeta cerca de 2,1 milhões de brasileiros todos os anos, segundo dados do DATASUS. É a principal causa de internação hospitalar (mais de 960 mil casos por ano) e a quinta causa de morte no Brasil. A internação é necessária nos casos de pacientes idosos, principalmente se tiverem comorbidades (problemas cardíacos, renais, diabetes, entre outras doenças); pacientes com sinais de insuficiência respiratória aguda (oxigenação baixa, uso de musculatura respiratória acessória, falta de ar importante); pacientes com doenças pulmonares crônicas graves (bronquite crônica, enfisema, asma, fibrose pulmonar) ou que recebem terapias que diminuem a imunidade (transplantados, por exemplo). Segundo o especialista, toda pneumonia deve ser tratada o quanto antes e dificilmente será resolvida sem uso do antibiótico adequado.

Um sintoma, muitas doenças

A tosse é um reflexo natural de defesa do organismo para livrar o aparelho respiratório de substâncias estranhas, de muco ou de partículas absorvidas com a respiração. Isso é particularmente comum nos estados gripais e nas infecções respiratórias. Mas é fundamental identificar a causa de qualquer tosse que dure mais de 10 ou 15 dias. Tosse por tempo prolongado exige atendimento médico para diagnóstico. O Dr. Luiz Francisco Ribeiro Medici, pneumologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, tira dúvidas:

Qual é a importância da tosse dentro do quadro geral dos sintomas respiratórios?

A tosse é um mecanismo de defesa que o organismo lança mão para expulsar agentes irritantes e secreções das vias aéreas. As características da tosse e das secreções são importantes no diagnóstico diferencia. Alguns casos de tosse estão relacionados a gripes e resfriados e regridem naturalmente. A tosse seca causada pela baixa humidade do ar é considerada típica e é um alerta que o corpo está desidratado. No entanto, quando a tosse é prolongada é muito importante procurar um médico, de preferência pneumologista, para elucidar a sua causa.

É fácil diferenciar entre tosse seca e tosse produtiva? Qual das duas incomoda mais o paciente?

As duas são bem características. Tosse seca é aquela sem presença de secreções e que costuma irritar bastante a garganta. Consideramos a tosse produtiva quando há secreções nas vias aéreas a serem expulsas. O aspecto da expectoração ajuda o médico no diagnóstico diferencial.

A partir de que momento uma tosse passa a merecer uma investigação mais profunda?

A maioria das gripes e resfriados é acompanhada de tosses que melhoram espontaneamente, sem necessidade de qualquer tratamento. Tosse com duração acima quatro semanas deve ser investigada prontamente.

A água é mesmo um dos melhores remédios antitosse?

Beber água ajuda principalmente quando a tosse está relacionada ao tempo seco. A água é importante para manter a hidratação do muco o que diminui a irritação na garganta e facilita a eliminação das secreções.

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