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Colírios. Interações perigosas de colírios dobram no frio
05 jul '16

Imagem: © goodluz

Com a chegada do frio, combinações perigosas de colírios e medicamentos atingem 20% dos pacientes atendidos pelo Instituto Penido Burnier, um dos maiores centros oftalmológicos do país, localizado em Campinas, interior de São Paulo. É o que mostra um levantamento feito nos prontuários do hospital pelo Dr. Leôncio Queiroz Neto. Como evitar esses acidentes? Ele explica aqui

Na média dos 12 mil atendimentos realizados nesse período no Instituto, comparado ao período de janeiro a março, o clima frio dobra o número de interações medicamentosas com colírios. Os grupos de maior risco são os idosos que fazem tratamentos para doenças crônicas e mulheres que tomam contraceptivos ou fazem TRH (Terapia de Reposição Hormonal).

O Dr. Leoncio cita como exemplo a inocente mistura de aspirina com colírio para combater a irritação ocular. Tão comum nesta época do ano, ela pode causar uma hemorragia. Não é comum, ressalta, mas hipertensos, cardiopatas, asmáticos e até fumantes que têm as artérias obstruídas pelos componentes do cigarro devem manter atenção redobrada com esta interação medicamentosa. Isso porque a aspirina é um antiagregante plaquetário que interfere na coagulação. Já o colírio mais usado para deixar os olhos branquinhos é o vasoconstritor que, ao diminuir o calibre dos vasos, pode causar, em longo prazo, elevação da pressão arterial, alterações cardíacas e catarata. Como a maioria das pessoas não pressiona o canal lacrimal durante a instilação, os princípios ativos interagem, potencializando o risco de hemorragia.

A recomendação do médico é usar lágrima artificial ou compressa de água fria para reduzir o desconforto da irritação ocular provocada pelo frio. Se o sintoma não desaparecer em dois dias, a recomendação é consultar um oftalmologista.

Os principais efeitos da interação de colírios com outros medicamentos são:

Combinação potencializadora dos medicamentos

- Colírio anti-histamínico + calmante

Combinaçãões que inibem o efeito de colírios

-Lágrima artificial + anti-histamínico ou contraceptivo

-Colírio antiglaucomatoso + descongestionante ou inibidor de apetite

-Lágrima artificial + Amiodarona (antiarrítmico)

Combinações desastrosas

-Colírio Beta-bloqueador + broncodilatador = falta de ar

-Colírio antiglaucomatoso + corticóide = risco de progressão do glaucoma

-Colírio anti-inflamatório + anticoagulante= hemorragia

-Colírio vasoconstritor + anti-hipertensivo = hipertensão

-Colírio Vasoconstritor + Amiodarona ou antiespasmódico = taquicardia

-Colírio antibiótico + contraceptivo = corta o efeito da pílula

Como a maioria das pessoas toma medicações sem prescrição médica, ler a bula atentamente antes de fazer associações que possam provocar reações adversas é fundamental. Quando se trata de colírio, Queiroz Neto diz que a simples oclusão do canal lacrimal com o polegar evita interações medicamentosas de risco.

O passo a passo para o uso correto de colírios:

• Lave as mãos antes da aplicação.
• Verifique no frasco se é recomendado agitar o produto antes de usar
• Incline a cabeça para trás.
• Flexione a pálpebra inferior com o indicador.
• Com a outra mão segure o dosador
• Coloque o medicamento sem relar no bico dosador, evitando a contaminação.
• Feche os olhos por três minutos para garantir o efeito
• Pressione com o polegar o canto interno do olho para reduzir efeitos colaterais
• Se usar lentes de contato, retire-as antes da aplicação
• Recoloque as lentes de contato depois de 10 minutos da aplicação
• Em caso de prescrição de mais de um colírio, aguarde 15 minutos entre um e outro
• Só aplicar medicação dentro do prazo de validade estipulado na embalagem

Cegueira por glaucoma pode crescer 25% no Brasil

O glaucoma, maior causa de cegueira irreversível, atinge cerca de um milhão de brasileiros. O consenso dos especialistas é de que mais da metade dos portadores nem desconfia ter a doença. E, para o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, a cegueira por glaucoma pode crescer 25% no Brasil - simplesmente porque um em cada quatro brasileiros com a doença depende da distribuição de colírio gratuito no programa de assistência do Ministério da Saúde, que foi interrompida.

O especialista ressalta que a única forma de evitar a perda da visão no glaucoma de ângulo aberto, que representa 90% dos casos da doença, é o uso contínuo de colírio. Ele explica que o glaucoma é decorrente de enfermidades que dificultam o escoamento do humor aquoso, líquido que preenche o globo ocular. Isso leva ao aumento da pressão intraocular que comprime o nervo óptico e causa a morte de suas células que não se recompõem. Para interromper este processo, são indicados colírios que mantêm a pressão interna do olho em nível normal, entre 10 e 21 mmHg. O problema é que a doença não apresenta sintomas e a perda da visão só é percebida quando mais de 40% das células da camada do nervo óptico foram perdidos. Por isso, metade dos diagnosticados em campanhas não buscam pelo segundo frasco de colírio e 20% dos portadores abandonarem o uso.

Como economizar

As dicas do médico para economizar no tratamento são:

Cadastro nos programas de fidelização: alguns dos maiores laboratórios de medicamentos instalados no país mantêm programas de fidelização que oferecem descontos de até 60% nos colírios para glaucoma. Mais informações podem ser obtidas durante o horário comercial, pelos telefones 0800.204.2020, 0800.770,0558, 0800.012.6644 e 0800.707.1080. Para se cadastrar, é necessário ter o CRM do médico e seu número de CPF.

Planos de saúde: alguns planos de saúde firmaram parceria com redes de farmácia e disponibilizam descontos para grupos de medicamentos que variam de 10% a 65%.

Uso correto: Um estudo conduzido por Queiroz Neto com 2,7 mil pacientes mostra que 67% fizeram uso incorreto de colírio. Desses 58% desperdiçaram o medicamento instilando mais de uma gota no olho. É só seguir o quadro de instruções

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