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Coração artificial. Segunda vida
09 out '17

Foto: © Igor Mojzes

A cardiologia talvez tenha sido a especialidade médica que mais evoluiu nas últimas décadas – com soluções terapêuticas cada vez mais eficientes e tecnológicas para os casos de insuficiência do coração, incluindo o transplante, para os estágios mais avançados. Mas um número significativo de pacientes, que sofrem da chamada Insuficiência Cardíaca Terminal, não tinham, até agora, uma proposta terapêutica viável.

Agora têm, inclusive no Brasil: o coração artificial. Antigo sonho dos cardiologistas, um novo e eficiente modelo dessa tecnologia já foi implantado aqui em 15 pacientes – dos quais oito no Hospital Sirio-Libanês. Uma das especialistas à frente do programa, a Dra. Juliana Giorgi explica que os pacientes com Insuficiência Terminal vivem um quadro irreversível de cansaço e até disfunção cognitiva. São dependentes totais – e nem sempre a idade é um fator agravante. Também pacientes jovens podem se tornar vítimas da Insuficiência – seja por efeitos deletérios de um tratamento quimioterápico contra um câncer, por exemplo, seja pelo abuso de anabolizantes na adolescência. Ou ainda como resultado de cardiopatias congênitas. Mas é claro que o tipo de paciente que predomina é o clássico infartado com lesões irreversíveis no ventrículo esquerdo – a câmara cardíaca que exerce a função de bomba de sangue para o resto do corpo. Seria esse tipo de paciente, em tese, um candidato ao transplante – cirurgia da qual o Brasil é o quinto no ranking mundial. Mas a espera por um órgão imunologicamente compatível é longa e pode ser fatal. E há pacientes – como especificamente o que está aos cuidados da Dra. Juliana – que optam por não serem transplantados. É aí onde entra a máquina.

O modelo hoje utilizado com sucesso – 15 mil implantes em todo o mundo, com 81% de sobrevivência em dois anos – é o HeartMate II, da Abbott, um dispositivo de assistência que substitui o ventrículo esquerdo, fazendo o papel de bomba cardíaca. O coração original não é retirado e fica sem função. A técnica não substitui o transplante – mas pode ser uma ponte para ele. De qualquer forma, para a maioria dos pacientes que recebem o dispositivo, a vida muda – para melhor.

Juliana cita o caso de um paciente que voltou a jogar golfe. Claro, há limitações. O paciente com o HeartMate não pode entrar no mar ou em piscina, porque a bateria do equipamento é externa. Mas, de resto, a qualidade de vida é promissora – para quem estava preso a uma cama.

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