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De olho no frio
04 ago '18

Foto: © apops

Ar seco e alergias propagam a conjuntivite alérgica. Gripe e ambientes fechados facilitam a viral. Saiba como identificar e prevenir cada tipo – na orientação do Dr. Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido Burnier, de Campinas.

A conjuntivite alérgica é um sério problema de saúde pública que começa a se propagar no outono e se estende ao inverno. A Organização Mundial da Saúde aponta que, nesse período do ano, triplicam as alergias respiratórias: rinite, sinusite, bronquite e asma. E, segundo o Dr. Queiroz Neto, a propagação da conjuntivite alérgica está relacionada à maior concentração da poluição típica do ar seco e ao fato de seis em cada 10 alérgicos apresentarem manifestações nos olhos durante as crises de alergia. Para se ter ideia da magnitude desse dado para a saúde ocular, a estimativa da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia) é de que 41,8 milhões de brasileiros, ou 20% da população, têm algum tipo de alergia.

Grupos e fatores de risco

A conjuntivite alérgica se manifesta mais em:

• Crianças que estão com o sistema imunológico em desenvolvimento e, por isso, são mais suscetíveis às doenças alérgicas.

• Mulheres, devido à maior prevalência de olho seco entre elas e ao contato da mucosa ocular com maquiagem e cosméticos.

• Usuários de lente de contato, por causa da reação a algum componente da solução higienizadora. Ao contrário do que algumas pessoas imaginam, não é possível desenvolver alergia às lentes propriamente ditas, se elas forem produzidas em material biocompatível com a superfície ocular.

Conjuntivite viral

Surtos de conjuntivite viral acontecem no inverno. “O problema é que a baixa umidade do ar nos meses mais frios reduz as defesas do organismo e resseca todas as mucosas, inclusive a lágrima, que tem a função de proteger a superfície ocular”. Resultado: nesta época do ano, o ressecamento dos olhos associado à gripe aumenta o risco de contrair conjuntivite viral. Apesar de a conjuntivite nem sempre ser causada pelo mesmo vírus, estar gripado é um claro sinal de queda na imunidade – o que torna os olhos mais vulneráveis à inflamação. Os grupos mais atingidos são: mulheres na pós-menopausa, que têm mais chance de desenvolver olho seco, crianças e idosos, por terem o organismo mais frágil.

Sintomas e primeiros socorros

Olhos vermelhos, lacrimejamento, coceira, sensação de corpo estranho, queimação, pálpebras inchadas, fotofobia e visão borrada são os sintomas em comum a todos os tipos de conjuntivite. A principal diferença de sintoma está no tipo de secreção produzida pelos olhos. Na alérgica, a secreção é aquosa. Na viral, é transparente e viscosa; na bacteriana, é purulenta e amarelada. A dica do especialista é aplicar obre as pálpebras fechadas compressas de gaze embebida em água filtrada fria ao primeiro sinal de conjuntivite alérgica ou viral. “Para conjuntivite bacteriana, as compressas devem ser mornas”. Se os sintomas não desaparecerem em dois dias, é necessário consultar um oftalmologista.

Banalização da doença e automedicação são perigosas

Segundo o Dr. Queiroz Neto, embora a conjuntivite não seja uma doença grave, a falta de tratamento correto pode trazer complicações como úlceras, cicatrizes na córnea e ceratocone, doença degenerativa que tem como principal fator de risco o hábito de coçar os olhos e responde por 70% dos transplantes de córnea no país. A conjuntivite alérgica leve pode ser tratada com colírio antialérgico. Os casos mais severos, com corticoides, também indicados para a do tipo viral. Mas os colírios antialérgicos agravam o olho seco. Por isso, devem ser associados a um lubrificante adequado ao filme lacrimal de cada pessoa. Já o uso de colírio com corticoide precisa de acompanhamento médico, porque a dosagem deve ser regressiva. “A interrupção brusca provoca efeito-rebote, ou seja, a doença volta mais agressiva”, explica o Dr. Leôncio. Por outro lado, colírio corticoide usado com frequência ou continuamente pode causar glaucoma e catarata.

Prevenção

A conjuntivite alérgica não é transmissível e pode ser prevenida. As principais dicas do oftalmologista são:

- Consumir alimentos ricos em ômega 3, como peixes e linhaça, para diminuir a evaporação do filme lacrimal

- Evitar o contato de cosméticos e maquiagem com a mucosa ocular

- Evitar cortinas e tapetes confeccionados em materiais que acumulam muito pó.

Já a conjuntivite viral não altamente contagiosa. As principais recomendações para prevenir a contaminação dos olhos são:

- Lavar as mãos várias vezes ao dia.

- Higienizar as mãos com álcool gel sempre que compartilhar tecnologias.

- Não compartilhar maquiagem, fronhas ou toalhas.

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