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Depressão. Em busca da luz
09 nov '17

Foto: Paolese

Cada vez mais frequente no mundo de hoje, a depressão – apesar de afetar um número cada vez maior de pessoas – ainda é uma doença pouco compreendida.

Isso, naturalmente, prejudica seu reconhecimento, o diagnóstico e, é claro, o correto tratamento desse distúrbio. Segundo cálculos da Organização Mundial de Saúde, 120 milhões de pessoas são acometidas por sintomas de depressão – e muitas perdem completamente o contato com a vida cotidiana, incapazes de sair de casa e de seu “universo” sombrio e tenebroso.

No Brasil, não há números confiáveis, mas estima-se em 15% a parcela da população que terá pelo menos um episódio ao longo da vida. Calcula-se que há duas mulheres para cada homem afetado. A maior propensão das mulheres em desenvolver a doença deve-se, acreditam os especialistas, à oscilação dos ciclos de estrogênio, o que reduz a comunicação entre os neurônios, peças-chave na química da depressão. Essas oscilações ocorrem, principalmente, na menarca (primeira menstruação), gravidez, pós-parto e pré-menopausa.

Mas nem a tempestade ou a seca hormonal femininas, nem qualquer outro fator masculino, explicam, sozinhos, o início de um surto depressivo. A doença é multifatorial – e entre os fatores que contribuem para sua eclosão estão a genética e até o estilo de vida, daí a importância de se mesclar psicoterapia de qualidade aos antidepressivos adequados para cada paciente. Os médicos não falam em cura, mas em controle da depressão, ou seja, o controle quase absoluto dos sintomas de tristeza profunda e vazio existencial irreparável. Entre os medicamentos, os de 1ª geração, conhecidos como tricíclicos, têm eficácia – mas efeitos colaterais tão significativos que reduziam a adesão dos pacientes ao tratamento.

Já os de 2º geração, os inibidores seletivos de recaptação de serotonina, têm menos eventos adversos, mas são menos eficazes. Os antidepressivos modernos aliam as duas melhores características das gerações anteriores – eficiência e efeitos adversos pouco significativos. Eles são conhecidos como duais, pois agem como inibidores de receptação de dois neurotransmissores (serotonina e noradrenalina), diretamente relacionados ao mecanismo da depressão.

Mas o tratamento sempre vale a pena – sobretudo quando for o certo. Quem vive sob o domínio da depressão sofre o pior que um ser humano pode sentir.

Enquanto um paciente com diabetes falta em média seis dias por ano ao trabalho devido à doença, uma pessoa com depressão perde em média 35 dias de trabalho por ano.

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