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Dia do balconista. Heróis anônimos da saúde
09 out '17

Foto: © JPC-PROD

Principal canal de dispensação de medicamentos no Brasil, as farmácias são fundamentais para o sucesso dos tratamentos prescritos aos pacientes por seus médicos. São também essenciais nas indicações para quem precisa de medicamentos isentos de prescrição, aqueles indicados para problemas de saúde menores que não requeiram uma consulta médica, como resfriados e cólicas menstruais corriqueiras.

Toda essa importância é elevada exponencialmente diante da precariedade da infraestrutura da rede de saúde pública brasileira, que chega a ser inexistente em muitas cidades pequenas. Nas regiões mais longínquas dos centros urbanos, as farmácias muitas vezes são o único elo das populações locais com algum atendimento na área da saúde.

Mas uma farmácia não é nada sem pessoas atrás do balcão, especialmente os balconistas, os que geralmente estão na linha de frente e são o “cartão de visitas” de todo estabelecimento que deseje oferecer um atendimento eficiente.

Diferentemente de muitos outros setores nos quais os balconistas também são peças-chave para a excelência no relacionamento entre empresa e cliente, no varejo farmacêutico eles vão além disso: podem amenizar e até curar, e com muito conhecimento especializado e peculiar ao exercício dessa função, as mais variadas dores que acometem os seres humanos.

Esses heróis anônimos da saúde fazem isso de diversas maneiras. A primeira, irritante e engraçada ao mesmo tempo, é decifrando as receitas médicas. Sou médico e digo isso com propriedade. É preciso muito conhecimento e paciência para entender o que boa parte da classe médica prescreve. Além de descobrir o nome do medicamento indicado, eles também auxiliam a decifrar qual a dosagem e o intervalo de tempo em que cada uma deve ser ministrada. Na seara dos isentos de prescrição, são eles que dão as orientações inestimáveis das melhores soluções para cada problema apresentado por aqueles que têm algum sofrimento.

Também são eles que auxiliam quem simplesmente quer um complexo vitamínico a fim de melhorar a imunidade, um shampoo ou um creme antirrugas. Quase 40% dos produtos comercializados em farmácias não são medicamentos, mas produtos de beleza e higiene pessoal, entre os principais – itens também fundamentais para o bem-estar físico, emocional e mental do ser humano.

Não se sabe ao certo o número de profissionais que trabalham atrás dos balcões das mais de 74 mil farmácias em operação no Brasil. Mas eles são tão importantes para os brasileiros que as indústrias farmacêuticas e fabricantes de produtos destinados à higiene e bem-estar os consideram vitais para o bom desenvolvimento de seus negócios. Assim como os laboratórios investem muito em representantes que divulgam seus medicamentos para médicos, também destinam muitos recursos para que uma força de vendas idêntica visite cada farmácia brasileira a fim de levar as mesmas informações a farmacêuticos e balconistas. É no ponto de venda que as indústrias verificam ainda se suas estratégias comerciais estão dando resultados ou não, se há demanda por seus produtos e se a distribuição e estoques estão afinados com as necessidades da população.

Após mais de 30 anos atuando na indústria farmacêutica no Brasil e nos Estados Unidos, posso afirmar, sem medo de errar, que toda a tecnologia disponível hoje não substitui o sucesso obtido por qualquer laboratório no dia a dia do relacionamento com os profissionais das farmácias. Bem como nenhuma consulta ao “Dr. Google”, essa recente moda da população de se informar nos sites de busca sobre os problemas de saúde, que traz vantagens e desvantagens, substituirá a relação do balconista com cada cidadão que precisa de sua atenção dentro de uma farmácia.

Por: Mario Grieco, é médico com pós-graduação em Medicina Interna pela Universidade da Flórida (EUA) e MBA em Administração de Empresas pela mesma instituição. Presidente e fundador da Life Diagnósticos, especializada em testes genéticos e farmacogenéticos, é um dos nomes mais destacados da indústria farmacêutica, setor no qual acumula mais de 30 anos de experiência, grande parte dela nos Estados Unidos. Presidiu importantes farmacêuticas, como a Bristol-Myers Squibb no Brasil, por 12 anos.

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