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Diabetes. A informação que salva
11 set '18

Foto: © Andrey Popov

São Paulo foi sede, pela 23ª vez, do Congresso Brasileiro Multidisciplinar em Diabetes – o mais completo evento do país na atualização dessa doença que é uma verdadeira epidemia mundial, em curso crescente, com gastos bilionários em saúde e que incapacita pessoas em idade economicamente ativa.

Foram 34 simpósios e nada menos que 160 palestras, reunindo os professores líderes da diabetologia brasileira, durante quatro dias. O diabetes exige, para seu controle e a prevenção de consequências dramáticas, como doenças cardíacas e amputação de dedos e pés, um absoluto conhecimento de sua evolução – e métodos de controle. Esses conhecimentos evoluem – e é isso o que promove o Congresso Multidisciplinar, comandado desde a primeira edição pelo Prof. Dr. Fadlo Fraige Filho, presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes. A ABCFARMA foi uma das entidades apoiadoras do evento – porque a atenção farmacêutica pode ser fundamental na administração do diabetes.

Da ação terapêutica do exercício físico no controle da glicemia até o salvamento de membros em feridas diabéticas complexas, todos os aspectos relacionados à incidência, à prevenção e ao tratamento da doença foram abordados no Congresso.

Qualquer profissional de saúde envolvido de alguma forma com a doença – de enfermeiras a cirurgiões – tinha à sua disposição as palestras e os painéis mais atualizados sobre o tema.

O diabetes em suas duas formas – o tipo 1, dependente de insulina, e o 2, que ainda pode ser controlado sem o uso de insulina – foi decifrado em seus múltiplos aspectos, até os pouco estudados, como a relação entre diabetes e sintomas depressivos: cerca de 30% dos diabéticos do tipo 2 apresentam quadro depressivo, o dobro da média geral na população. Dados sobre controle glicêmico e a qualidade de vida em idosos diabéticos, segundo um dos estudos apresentados, enfatizam a importância do papel da educação e da informação no tratamento de doenças crônicas – como o diabetes – sobretudo no processo de envelhecimento. De qualquer modo, por causa da melhora nos mecanismos de controle e pelos efeitos benéficos das campanhas de conscientização, a taxa de mortalidade por complicações agudas do diabetes – como infarto do miocárdio ou AVC – caiu 27,8% em cinco anos, conforme trabalho apresentado no evento.

A influência positiva dos exercícios físicos de alta intensidade em casos avançados de diabetes também foi demonstrada – com a redução dos níveis glicêmicos em todos os estágios, até mesmo em diabéticos do tipo 1, dependentes de insulina. Experiências no manejo do diabetes em serviços de farmácia clínica foram relatadas, com destaque para os pacientes em uso de insulina – que às vezes necessitam de orientações abalizadas sobre o armazenamento, técnicas corretas de aplicação e identificação de crises de hipoglicemia, ou seja, de queda anormal nos níveis de glicemia – um efeito colateral ainda relativamente comum entre pacientes que fazem uso da insulina. Esse papel de orientador pode, sim, caber ao farmacêutico.

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