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Diabetes. Dia e hora de cuidar
09 nov '17

Foto: © Piotr Adamowicz

O Dia Mundial do Diabetes – 14 de novembro – tornou-se oficial pela ONU a partir de 2007. A data foi escolhida por marcar o aniversário de Frederick Banting que, junto com Charles Best, desenvolveu a insulina sintética, em 1921 – elevando o tratamento e a sobrevida dos diabéticos a outro patamar.

Todo ano, a campanha tem um tema. Este ano, o tema escolhido foi “Mulheres e o Diabetes”. Mas o tema do ano passado – “Diabetes, uma doença invisível” – parece ser a chave para a prevenção, a detecção precoce e o melhor tratamento dessa doença que afeta 9% da população mundial e é a sétima causa de mortes no mundo. Diabetes virou epidemia mundial – e precisa ser combatido globalmente.

Aumentar a conscientização para os sinais de alerta do diabetes e promover ações para incentivar o diagnóstico precoce e prevenir ou retardar as complicações do diabetes são, todos os anos, o mote do Dia Mundial do Diabetes. E reduzir os principais fatores de risco para o diabetes tipo 2 – que é fortemente influenciável por hábitos inconvenientes de vida. Já o diabetes do tipo 1, dependente de insulina, tem decisivo componente genético – e raramente pode ser evitado. No Brasil, a Campanha do Dia Mundial do Diabetes é organizada pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), liderada pelo Dr. Márcio Krakauer.

FATORES DE RISCO PARA DIABETES

“Combater a obesidade ainda é o melhor método preventivo para o diabetes. Manter um controle nutricional adequado e praticar exercícios físicos regularmente são medidas capazes de reduzir em até 60% o risco de desenvolver a doença”, afirma a Dra. Laura Frontana, endocrinologista do HCor (Hospital do Coração). Essa orientação é válida para todas as pessoas, como forma de prevenção, ou para aqueles que já receberam o diagnóstico de diabetes. “Um plano nutricional individualizado, considerando características como idade, nível de atividade física, peso, altura, o uso ou não de hipoglicemiantes e insulina é imprescindível para prevenir, tratar e até controlar a doença”, destaca a endocrinologista. Atividade física pode ser feita sem restrições.

Caminhada, dança, hidroginástica, corrida, natação e ciclismo, em intensidade moderada, três vezes por semana, são algumas das atividades físicas indicadas para prevenir complicações da doença e o controle dos níveis de glicemia, além de ajudar a baixar a pressão arterial e reduzir o risco de desenvolver doenças cardíacas.

Diabetes tipo 2: UM DESAFIO

Enfermidade complexa, geralmente diagnosticada na maturidade, o diabetes do tipo 2 acomete 16% dos brasileiros na faixa dos 55 aos 64 anos, e quase 20% dos que passaram dos 66 anos. As fases iniciais são silenciosas. Na maioria das vezes, as complicações se instalam e progridem antes que o diagnóstico seja feito: retinopatia com perda de visão, insuficiência renal, obstrução de artérias periféricas, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral, para citar as mais frequentes. O risco dessas complicações diminui com o controle rigoroso da glicemia. Para controlá-la, no entanto, é preciso antes fazer o diagnóstico.

O quadro clínico é precedido por uma fase assintomática longa, denominada pré-diabetes, caracterizada por pequenas elevações da glicemia, resistência à ação da insulina e diminuição da quantidade de insulina produzida pelo pâncreas. Os especialistas calculam que para cada pessoa com diabetes já instalado, existam pelo menos três com pré-diabetes. Por essa estimativa, haveria 36 milhões de brasileiros nessa fase. Identificá-los é fundamental para recomendar-lhes que pratiquem atividade física, reduzam o consumo de carboidratos e gorduras e percam peso. Em 1997, o limiar do nível de glicemia em jejum foi reduzido para 126 mg/mL, medida tomada porque acima desse nível os vasos da retina já são afetados. O diagnóstico deve ser confirmado pela repetição do teste em outro dia.

São considerados portadores de diabetes, também, aqueles com glicemia igual ou superior a 200 mg/dl em qualquer hora do dia, independentemente do horário das refeições. Nessa eventualidade, não há necessidade de confirmação. Para identificar o grupo que corre mais risco de desenvolver a doença, níveis de glicemia em jejum entre 100 e 125 mg/dl são considerados indicativos de pré-diabetes. Estudos populacionais mostram que 5% a 10% das pessoas enquadradas nessa categoria se tornam diabéticos, a cada ano que passa. O risco de diabetes entre pré-diabéticos é cinco a dez vezes maior do que entre aqueles com glicemia de jejum normal.

Hemoglobina GLICADA

Em 2009, foi instituído outro exame de sangue para auxiliar o diagnóstico: a hemoglobina glicada. Esse teste afere os níveis médios de glicose no sangue durante os dois ou três meses anteriores - tempo médio de vida dos glóbulos vermelhos). O exame tem a vantagem de dispensar o jejum e de não sofrer as flutuações da glicemia de um dia para outro. O diabetes é diagnosticado quando a hemoglobina glicada atinge 6,5%, porcentagem a partir da qual aumenta o risco de retinopatia e déficit visual progressivo. No pré-diabetes, os valores estão entre 5,7% e 6,4%. A realização simultânea dos dois exames, glicemia de jejum e hemoglobina glicada, aumenta a probabilidade de chegar ao diagnóstico.

Glicemia entre 100 e 125 mg/ml ou hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4% exige mudanças drásticas no estilo de vida e na alimentação. Em alguns casos, há necessidade de medicamentos.

MEDICAÇÃO PARA A DIABETES TIPO 2

Boa parte dos diabéticos consegue manter a glicemia controlada adotando simplesmente um estilo de vida mais saudável. No entanto, pode vir a ser necessária a ajuda adicional de medicamentos de controle, com diferentes meios de ação.

- Biguanidas: como o cloridrato de metformina, o princípio ativo hoje mais prescrito dessa família terapêutica, essencialmente reduzem a quantidade de glicose produzida pelo fígado.

- Inibidores de DPP-4 e GLP 1: induzem a diminuição da glicemia, aumentando a quantidade de insulina produzida no pâncreas e diminuindo a quantidade de açúcar produzido no fígado.

- Inibidores da alfa glucosidase: após as refeições, abrandam a decomposição e a absorção dos hidratos de carbono.

- Sulfonilureias e meglitinidas: estimulam diretamente o pâncreas a libertar insulina.

- Glitazonas (também designadas por TZDs ou tiazolidinedionas): essencialmente, ajudam o organismo a utilizar a insulina e a transportar a glicose para o interior das células.

- Insulina: uma parte dos diabéticos do tipo 2 vai precisar de insulina injetável em alguma fase de sua vida, quando a dieta e os remédios antidiabéticos não conseguem controlar os níveis de açúcar.

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