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Doença de Alzheimer. No Brasil, mais de 1 milhão de casos
19 abr '18

Foto: © JPC-PROD

São raras as famílias que não tenham pelo menos um caso para relatar. Uma forma de demência descrita pela primeira vez em 1906 pelo médico que lhe deu nome hoje parece epidêmica, pela multiplicação de casos. Na verdade, sua incidência subiu pelo aumento da expectativa de vida da população. Não é apenas um quadro de “caduquice” ou “esclerose”, como se dizia no passado – mas uma demência com características próprias, como explicam aqui especialistas da ABRAZ, Associação Brasileira de Alzheimer.

Doença que não tem cura, mas tem tratamento.

Diagnosticada no início, é possível retardar seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo qualidade de vida ao paciente e à família. Seu nome oficial refere-se ao médico Alois Alzheimer, o primeiro a descrever a doença. Em 1906, ele publicou o caso da paciente Auguste Deter, uma mulher saudável que, aos 51 anos, desenvolveu quadro de perda progressiva de memória, desorientação, dificuldade para se expressar, tornando-se incapaz de cuidar de si. Após morte de Auguste, aos 55 anos, o Dr. Alzheimer examinou seu cérebro e descreveu as alterações que hoje são conhecidas como características da doença. A principal alteração são as placas senis decorrentes do depósito de proteína beta-amiloide, anormalmente produzida. Outra alteração observada é a redução do número das células nervosas.

É muito comum que os sintomas iniciais da Doença de Alzheimer (DA) sejam confundidos com o processo de envelhecimento. Essa confusão tende a adiar a busca por orientação profissional e, por isso, a doença costuma ser diagnosticada tardiamente. O diagnóstico no estágio inicial da doença favorece a evolução e o prognóstico do quadro.

Na prática, o diagnóstico da DA é clínico, isto é, depende da avaliação feita por um especialista, que irá definir, a partir de exames e da história do paciente, a principal hipótese para a causa da demência. Exames de sangue e de imagem, como tomografia ou ressonância magnética do crânio, devem ser realizados para excluir a possibilidade de outras doenças. A avaliação neuropsicológica, também fundamental, envolve o uso de testes para a verificação do funcionamento cognitivo do paciente em várias esferas. O mapeamento cerebral pode ser útil ainda para a programação do tratamento de estimulação – a partir das habilidades que merecem investimentos para serem preservadas e daquelas que precisam ser compensadas.

O começo

Entre os primeiros sinais da doença, podem ocorrer dificuldades para executar tarefas anteriormente habituais – como pagar contas, preparar uma refeição ou fazer compras. No entanto, nesse estágio, o paciente ainda é capaz de manter sua independência com mínima assistência. Não é possível saber se esse tipo de paciente evoluirá para a demência. As perdas neuronais não acontecem de maneira homogênea.

O tratamento

As pesquisas têm progredido na compreensão dos mecanismos que causam a doença e no desenvolvimento das drogas para o tratamento – cujos objetivos são aliviar os sintomas existentes, estabilizando-os, ou, ao menos, permitindo que boa parte dos pacientes tenha uma progressão mais lenta da doença, mantendo-se independentes nas atividades da vida diária por mais tempo. Os tratamentos indicados podem ser divididos em farmacológico e não farmacológico.

Tratamento farmacológico

Na DA, acredita-se que parte dos sintomas decorra de alterações em uma substância cerebral chamada acetilcolina, que se encontra reduzida em pacientes com a doença. Um modo possível de tratar a doença é utilizar medicações que inibam a degradação dessa substância. As medicações que atuam na acetilcolina, e que estão aprovadas para uso no Brasil nos casos de demências leve e moderada, são a rivastigmina, a donepezila e a galantamina (conhecidas como inibidores da acetilcolinesterase ou anticolinesterásicos).

A resposta esperada com o uso dessas medicações é uma melhora inicial dos sintomas, que será perdida com a progressão da doença – mas há evidências de que essas drogas podem estabilizar parcialmente essa progressão, de modo que a evolução torne-se mais lenta. A memantina é outra medicação aprovada para o tratamento da demência da DA. Ela atua reduzindo um mecanismo específico de toxicidade das células cerebrais. Os sintomas comportamentais e psicológicos da doença podem ser tratados com medicações específicas e controladas – para o controle de agitação, agressividade, alterações do sono, depressão, ansiedade, apatia, delírios e alucinações.

Tratamento não farmacológico

Atividades de estimulação cognitiva, social e física beneficiam a manutenção de habilidades preservadas e favorecem a funcionalidade. Exercícios de estímulo para as funções cognitivas, como atenção, memória, linguagem, orientação e a utilização de estratégias compensatórias são muito úteis para investimento em qualidade de vida e para estimulação cognitiva.

A qualidade e a quantidade de estímulos devem ser monitoradas e avaliadas a partir da resposta dos pacientes. É de fundamental importância, para a adesão às propostas, que essas atividades sejam agradáveis e compatíveis com as capacidades dos pacientes. O intuito dos tratamentos não-farmacológicos não é fazer com que a pessoa com demência volte a funcionar como antes da doença – mas que funcione o melhor possível a partir de novos parâmetros.

Além do auxílio fundamental dos cuidadores, podem ser necessários tratamentos específicos, envolvendo estímulos à locomoção e motricidade, deglutição, comunicação e nutrição.

A cada etapa da doença, profissionais especializados podem ser indicados para minimizar problemas e orientar a família – com o objetivo de favorecer a superação de perdas. É um grande desafio – para toda a vida.

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