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Estão chegando as flores – e as alergias
11 set '18

Foto: © K.-U. Häßler

Para boa parte das pessoas, a primavera é a melhor estação do ano. Nem frio, nem quente – e uma cara linda, de jardim em flor. Mas, para alérgicos respiratórios, é temporada de aflições e crises.

Durante essa estação, é mais comum as pessoas sofrerem crises de rinite alérgica, asma e conjuntivite, por exemplo. Por que alergias são mais comuns durante a primavera? Na primavera ocorre justamente a polinização das flores, processo de reprodução em que os grãos de pólen circulam mais pelo ar. Esse pólen pode causar reações alérgicas e desencadear rinoconjuntivite, que tem como sintomas coriza, espirros, congestão e coceira no nariz e coceira e vermelhidão nos olhos, além de crises de broncoespasmo, caracterizadas por tosse, chiado no peito e falta de ar. Principalmente na região sul do Brasil, onde as quatro estações do ano são mais definidas, esses sintomas podem ser mais frequentes nesta época do ano. Como prevenir? Como tratar?

“O pólen das flores pode causar uma sensibilização alérgica devido à formação de anticorpos específicos do tipo IgE, característico das doenças alérgicas. Quando a pessoa que já formou tais anticorpos tem novo contato com o agente causador – no caso, o pólen – os sintomas são desencadeados”, explica o Dr. Marcelo Aun, médico alergista do Hospital Samaritano. As alergias, na realidade, são uma resposta anormal e exagerada do sistema imunológico para combater agentes que, para a maioria das pessoas, não significa nenhuma ameaça – como é o caso dos ácaros, fungos, picadas de insetos, pelos de animais e até o inocente pólen, precursor de novas flores. Originária de herança genética, a alergia só é desencadeada após exposição a esses fatores ambientais – gerando novos episódios alérgicos sempre que há contato. Isso acontece especialmente porque, entre setembro e final de novembro, o tempo fica mais seco e a temperatura começa a variar de forma mais constante. Além da falta de umidade do ar, os gases tóxicos e poluentes tendem a se concentrar no ar, uma vez que não conseguem se dispersar na atmosfera. Além disso, a estação é caracterizada pela intensificação da presença de pólens no ar, devido ao início no processo de polinização das plantas. Os grãos de pólen, que são estruturas masculinas de reprodução, são transportados até as partes femininas das flores pelo ar. Quando esse ar é inalado, o pólen entra em contato com a mucosa do nariz e as pessoas com predisposição à alergia têm reações como tosse constante, garganta seca, irritação dos olhos, coceira no nariz, coriza, espirros e congestão nasal, sem mencionar a queda na imunidade, uma vez que o sistema imunológico está concentrando suas energias em combater a invasão. O diagnóstico da alergia ao pólen é realizado por meio de um exame de sangue para avaliar a quantidade de IgE específica e outros testes feitos diretamente na pele.

Como se prevenir contra as alergias da primavera

Algumas medidas são eficientes na prevenção desse lado incômodo da primavera.

Fazer um teste: qual é o alérgeno que está produzindo tanta reação? A evolução dos testes cutâneos e de outros métodos de diagnóstico tem permitido quantificar de forma precisa e eficaz a intensidade de cada sensibilização. Essa quantificação dá aos médicos um elemento importante para a prescrição de vacinas para a alergia. Aliás, o desenvolvimento de novas vacinas tem permitido encontrar esquemas mais confortáveis para o doente, além de mais eficazes e seguros, sempre com o objetivo de controlar a evolução da doença, de minimizar as queixas e a dependência de medicamentos.

Beber bastante água: o recomendado é dois litros por dia. A água é grande aliada na fluidificação de todas as secreções do corpo, inclusive as do nariz.

Manter a casa sempre limpa, evitando o acúmulo de poeira, mofo e contato com pelos de animais, insetos, ácaros. A roupa de cama deve ser trocada e lavada semanalmente. Fronhas e capas de colchão antiácaros são recomendadas. Carpetes devem ser substituídos por outros tipos de piso, nada de tapetes no quarto; em vez de cortinas, persianas - limpas semanalmente.

Fechar as janelas para evitar a entrada dos pólens, especialmente pela manhã, no fim de tarde e quando há vento – períodos em que a dispersão de pólen se intensifica.

Lavar o nariz com soro fisiológico contribui para a diminuição do incômodo.

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