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Farmácias demonstram a força do associativismo para vencer a crise
11 set '17

Foto: © contrastwerkstatt

O ambiente competitivo no Brasil é alvo constante de reclamações dos empresários brasileiros. Mas observo que muitos deles estão à procura de uma solução mágica de prosperidade, esperando que os governantes diminuam a carga tributária ou proponham uma lei que beneficie seu segmento, que o dólar desvalorize quando precisar importar alguma matéria-prima ou produto, ou que valorize quando precisar exportar, por exemplo. E isso é um problema muito sério.

Divido o mundo empresarial em dois grupos: os empresários que vivem em um constante processo de vitimização – se a empresa não vai bem, a culpa do insucesso é do governo, do mercado, da crise, etc.

Por outro lado, há os empresários que se tornam protagonistas de seus negócios, buscando, dentro das suas próprias competências, soluções para os desafios. Vítimas enxergam tudo como problemas, protagonistas enxergam desafios. E isso, com certeza, faz toda a diferença na vida.

Saídas conjuntas

Mas como encarar os desafios? Para os empresários, sobretudo das pequenas e médias empresas, a saída é buscar se associar a agrupamentos, seja no modelo de franquia, licenciamento de marca ou de associativismo. Independentemente do formato, a junção de várias empresas em torno de um objetivo comum aumenta a possibilidade de êxito.

Posso afirmar isso, pois estou no movimento associativista há vinte anos, ao longo dos quais já colaborei com o fomento de associações de diversos segmentos. Em todos esses agrupamentos ou redes – como se preferir denominar –, é visível a melhoria individual e coletiva dos participantes e suas empresas.

Entre os benefícios, está o fato de esses empresários passarem a conviver de uma forma mais efetiva e afetiva entre si, uma vez que eram, até então, concorrentes – e isso faz com que sejam mais empreendedores. Outro ponto importante é que essas empresas unem forças para compras em conjunto, compartilham ações de marketing e administração profissionalizada, entre outros aspectos que só é possível realizar de forma coletiva.

Ao participar de uma associação, a empresa se torna mais competitiva. Mas, como nem tudo é perfeito, mesmo no associativismo também temos empresários vítimas e empresários protagonistas. E lidar com essa situação é o maior desafio dos dirigentes das associações empresariais.

Como fazer?

Na posição de presidente da Febrafar (Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias) trabalho diariamente para que todos sejam protagonistas. Uma das ferramentas que utilizo são os números positivos desses modelos. Por isso, dentro da Federação, criei o IFEPEC (Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Continuada), que tem por objetivo fazer pesquisas, coordenar estudos e disseminar a educação empresarial aos nossos associados.

Os resultados são muito positivos, como aponta estudo recente que coordenamos para conhecer o nível de empreendedorismo dos nossos associados. Analisando uma amostragem de 2.264 lojas vinculadas à Febrafar, verificamos que 31% dessas farmácias apresentaram crescimento acima da média do mercado, 49% ficaram na linha padrão de crescimento e 20% ficaram abaixo da média.

Essa informação foi a base da pesquisa, realizada com o objetivo de identificar os fatores que contribuíram para o crescimento e/ou queda.

Os empresários que cresceram tanto ou mais que o mercado apontaram, em sua totalidade, que um dos fatores é o aproveitamento da coletividade, ou seja, eles souberam usar as ferramentas oferecidas pela rede.

Outros elementos para o crescimento foram, por exemplo, a utilização frequente de todas as ações de marketing oferecidas, a promoção de treinamento contínuo da equipe e o reconhecimento do poder da coletividade na contribuição para o êxito individual. Assim, esses empresários se tornaram protagonistas.

No entanto, observou-se que os empresários que lideram as empresas que ficaram abaixo do mercado, em termos de crescimento, não reconhecem que o motivo é a falta de envolvimento da empresa e do empresário nas ações da rede; preferem culpar o mercado e a crise, não compreendendo que seus pares enfrentam as mesmas condições competitivas e estão num processo evolutivo melhor. Eles se fazem de vítima, mas devem ser resgatados.

Ser associativista ou estar em uma associação não garante de forma automática a caminhada para o sucesso, mas todos os empresários que utilizam com competência as ferramentas oferecidas aos seus associados têm uma chance muito maior de alcançar o sucesso.

Por: Edison Tamascia - Empresário do varejo farmacêutico há 40 anos. É presidente da FEBRAFAR (Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias), da rede de Drogarias Ultrapopular e da administradora de redes Farmácias.

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