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Febre amarela. Ela voltou?
08 fev '17

Foto: © Fotolia

Em balanço divulgado dia 18 de janeiro, o Ministério da Saúde confirmou oito mortes causadas pela febre amarela em Minas Gerais. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, admitiu que há em surto no Estado, mas destacou que está sob controle. Há outros 45 óbitos suspeitos e, no total, 206 casos sob investigação em 29 cidades do leste mineiro. No Espírito Santo, de acordo com a pasta, há outros seis casos suspeitos em quatro municípios. De acordo com o Ministério, 19 estados brasileiros já têm recomendação para a vacinação – e, em janeiro, 650 mil doses foram distribuídas como parte da rotina do calendário nacional de vacinação. O Brasil, aliás, é exportador de vacinas de febre amarela. Mas, afinal, o que está acontecendo com uma doença cuja versão urbana está oficialmente extinta do país desde 1942? Ela voltou com tudo? Quem são os pacientes de risco? É o que explicam aqui a Dra. Ana Escobar e especialistas do Ministério da Saúde.

Fala-se em febre amarela urbana e silvestre: é a mesma doença ou são vírus diferentes? Por que diz-se que o surto atual é de febre amarela silvestre?
O vírus que causa a febre amarela urbana ou a silvestre é exatamente o mesmo. Isso significa que os sinais, sintomas e evolução da doença são exatamente os mesmos. A diferença está “apenas” nos mosquitos transmissores e na forma de contágio. A febre amarela silvestre é transmitida por mosquitos (Haemagoguse o Sabethes) que vivem nas matas e na beira dos rios. Esses mosquitos picaram macacos contaminados e depois picaram pessoas que adoeceram. Por isso, há relato de mortes de macacos nas regiões acometidas. A febre amarela urbana não existe no Brasil desde 1942 e é transmitida quando um mosquito urbano, o Aedes aegypti, pica uma pessoa doente e depois pica outra pessoa susceptível, transmitindo a doença. Exatamente como acontece com a dengue, zika e chikungunya.

O Aedes aegypti é transmissor da febre amarela?
SIM. Por isso é que devemos evitar que o vírus se espalhe, vacinando todas as pessoas das regiões acometidas. Se uma pessoa que frequentou a região de matas for contaminada, vier para região urbana e for picada pelo Aedes, pode reiniciar o ciclo urbano da febre amarela. Por isso é importante conter o surto. Felizmente temos uma vacina bastante eficaz para isso.

Quem pode tomar a vacina?
A vacina da febre amarela está indicada para crianças com mais de nove meses e adultos com menos de 60 anos. Bebês de nove meses podem tomar a primeira dose e um reforço aos quatro anos de idade. Para os adultos, duas doses, com intervalo de 10 anos, são suficientes para imunizar. Não é necessário repetir a vacina a cada 10 anos. As pessoas com mais de 60 anos podem receber a vacina, desde que indicada pelo médico.

E quem não sabe ou não lembra se tomou a vacina? Pode tomar de novo?
Pode, sim, desde que esteja no grupo recomendado e não tenha nenhuma contraindicação para essa vacina.

Quais são as contraindicações para a vacina? Quem não deve ou não pode tomá-la?
As contraindicações mais importantes são alergia à proteína do ovo, bebês com menos de seis meses ou pacientes portadores de doenças que apresentam imunodepressão ou que façam tratamentos que levem à imunossupressão.

Por que esta febre se chama “amarela”?
Porque um dos sinais de gravidade da doença é a icterícia, que deixa os olhos e a pele das pessoas com um tom mais amarelado. Os sintomas iniciais são como os de uma gripe mais forte, com febre, dores pelo corpo, dor de cabeça, mal -estar, enjoo e vômitos. Depois de uns dois, três dias, as pessoas podem melhorar ou evoluir para as formas mais graves, com acometimento do fígado e dos rins. Aí aparece a icterícia e sinais de hemorragia como sangramentos de mucosas. Felizmente as formas mais graves são mais raras e a maioria dos pacientes evolui para a cura. Quem teve a doença fica imune para o resto da vida.

Existe tratamento específico para a febre amarela?
Não. O tratamento é o de suporte, isto é, alívio dos sintomas.

Por que a doença está de volta?
Os primeiros sinais de que a febre amarela estava novamente ultrapassando a região amazônica começaram em 2014. Foi nesse período, de acordo com o Ministério da Saúde, que o País passou a ter uma “reemergência” da doença. Desde então, entre 2015 e 2016, foram confirmados 15 casos, com 10 mortes. O vírus de febre amarela nunca deixou de circular no Brasil na forma silvestre. A cada ciclo de aproximadamente sete anos, no entanto, há um aumento de casos em áreas que ultrapassam a região da Amazônia. O fenômeno está associado a mudanças na população suscetível. A última onda de casos em humanos ocorreu em 2009, quando a doença atingiu o Rio Grande do Sul, estado que por 42 anos estava livre da doença. Na ocasião, 13 casos foram confirmados, com seis mortes.

A febre amarela é transmitida de pessoa para pessoa?
Não.

Qual é a evolução da doença?
Para maior parte dos pacientes, os sintomas vão perdendo a intensidade a partir do 3º ou 4º dia da infecção. Em alguns casos, no entanto, a doença entra em sua fase considerada tóxica.

O que ocorre nos casos graves?
Cerca de 10% dos pacientes desenvolvem a forma grave da doença. Ela geralmente ocorre depois de um período breve de melhora dos primeiros sintomas da doença. A febre reaparece, há hemorragias, insuficiência hepática, insuficiência renal. Também não é incomum pacientes apresentarem vômito com sangue, um sintoma da hemorragia. Cerca de 50% dos pacientes que desenvolvem a forma grave da doença morrem num período entre 10 e 14 dias.

Quais são as reações possíveis à vacina?
Os efeitos colaterais graves são raros. Mas 5% da população pode desenvolver sintomas como febre, dor de cabeça e dor muscular de 5 a 10 dias.

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