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Intolerância à lactose. Em busca do inimigo
12 jun '17

Foto: © CC0 Public Domain

Também chamada de deficiência de lactase, é um dos distúrbios orgânicos “da moda”. Especialistas estimam que 70% da população mundial tenha alguma forma de intolerância à lactose – um tipo de açúcar encontrado no leite e em outros produtos lácteos. Em outras palavras, é a incapacidade que o organismo tem de digerir lactose. Aqui, o Dr Roberto Navarro, clinico geral e nutrólogo, explica o que é preciso saber sobre essa condição – para evitar suas complicações.

A intolerância à lactose acontece como consequência de um outro problema: a deficiência de lactase, que ocorre quando o intestino delgado deixa de produzir a quantidade necessária de uma enzima cuja função é quebrar as moléculas de lactose e convertê-las em glucose e galactose.

As causas desse distúrbio variam de acordo com o seu tipo

Intolerância à lactose primária

Durante a infância, o corpo produz muita enzima lactase, pois o leite é a fonte primária de nutrição após o nascimento. Geralmente, o corpo diminui a quantidade de lactase produzida conforme a pessoa vai envelhecendo e sua dieta variando, com o acréscimo de novos tipos de alimentos. Com o tempo, esse declínio na produção de lactase pode levar a um quadro de intolerância à lactose.

Intolerância à lactose secundária

Esse tipo de intolerância ocorre quando o intestino delgado deixa de produzir a quantidade normal de lactase por causa de alguma doença, cirurgia ou ferimento. Algumas condições que podem levar a um quadro de intolerância à lactose secundária são a doença celíaca, gastroenterite e a doença de Crohn, por exemplo. O tratamento da condição intrínseca a esse tipo de intolerância pode resolver o problema.

Intolerância à lactose congênita

É possível, embora raro, que bebês nasçam com intolerância à lactose por causa da deficiência total de lactase no organismo. Esse quadro é conhecido como herança autossômica recessiva e é passada de geração em geração. Nesse caso, tanto o pai quanto a mãe transmitem o gene da intolerância à lactose para o filho.

Fatores de risco

Alguns fatores são considerados de risco para a intolerância à lactose.

Idade: conforme os anos vão passando, as chances de se desenvolver intolerância à lactose aumenta

Etnia: intolerância à lactose é mais comum em negros, asiáticos, hispânicos e indígenas

Nascimento prematuro: bebês que nasceram prematuramente apresentam menos lactase no organismo, porque a produção dessa enzima aumenta somente no final do terceiro trimestre da gravidez

Sintomas de intolerância à lactose

Os sintomas geralmente começam de 30 minutos a duas horas depois de a pessoa ingerir alimentos ou bebidas que contenham lactose. Entre os sintomas estão:

• Diarreia
• Náusea e às vezes vômito
• Dores abdominais
• Inchaço

A intensidade dos sintomas varia de acordo com a ocasião, mas eles costumam ser amenos.

Buscando ajuda médica

Caso perceba os sintomas acima após refeições onde laticínios estejam presentes, e suspeite que eles estejam ligados à ingestão de lactose, a pessoa deve procurar um médico – e este especialista também deverá lhe fazer algumas perguntas.

Veja exemplos:

• Você ingeriu algum alimento ou bebida que contenha leite?
• Quando os sintomas começaram?
• Os sintomas são frequentes ou ocasionais?

TRATANDO A INTOLERÂNCIA

Segundo a Dra Juliana Trevilini – nutricionista com grande conhecimento em alergias e restrições alimentares – quando a intolerância chega à fase de produzir sintomas acentuados, o tratamento deve ser feito basicamente seguindo dois princípios:

1 - Desintoxicar o organismo cortando todos os alimentos que contenham a lactose, a proteína do leite ou o glúten. Nessa fase, é necessário ler todos os rótulos dos alimentos para confirmar a inexistência de lactose.

2 - Refazer a flora intestinal através de alimentação balanceada – é fundamental a utilização de alimentos frescos, naturais e ricos em nutrientes e de suplementos alimentares, como a glutamina e os probióticos.

Feito isso, o organismo vai se restabelecendo. Ao longo do tempo, conforme vai refazendo a flora intestinal e fortalecendo o sistema de defesa, a pessoa poderá ir reintegrando, aos poucos, produtos com baixo teor de lactose na alimentação.

Lembrando sempre: comida não deve ser vista apenas como fonte de prazer – mas como fonte de saúde.


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