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Mau hálito. Chiclete não resolve
11 set '17

Foto: © Minerva Studio

Em 22 de setembro se comemora o Dia Nacional do Combate à Halitose – esse é o termo cientifico para mau hálito, um problema que afeta milhões de pessoas, com maior incidência na terceira idade, mas que nem sempre recebe a devida atenção de seus portadores. Uma das razões para isso é o constrangimento de se abordar o assunto com quem realmente sofre de halitose – e resiste em admitir. A data contribui para que as pessoas se conscientizem quanto à seriedade do assunto e se informem sobre tratamentos, causas, consequências e prevenção – como quer a ABHA, Associação Brasileira de Halitose, que conduz uma campanha em torno dessa data.

É um mês importante para os profissionais da área – a começar pelos dentistas, que lidam mais diretamente com o problema no atendimento de seus pacientes. Eles estão empenhados em disseminar informações e alertar as pessoas sobre o mau hálito – uma das fontes de maior constrangimento nas relações pessoais. A campanha costuma durar um mês, ou seja, vai até o dia 25 de outubro, Dia do Dentista. Além de palestras, a instituição dispõe do inédito serviço “SOS Mau Hálito”, que avisa, por meio de e-mail ou carta, quem possivelmente sofre com a halitose – após “delação” de um amigo, colega ou parente. A pessoa com mau hálito é avisada anonimamente dessa condição – e o nome de quem a indicou é mantido em sigilo. O serviço é uma forma rápida e eficiente de ajudar o portador de halitose a tomar conhecimento de seu problema. Basta acessar o site da instituição (www.abha.org.br), entrar no link “SOS Mau Hálito” e cadastrar os dados de quem receberá a mensagem. O destinatário, ao receber a carta ou e-mail da ABHA sobre seu problema, recebe também uma lista de profissionais indicados pela Associação, especialistas no assunto.

Como detectar. E como tratar

A halitose é um problema que atinge boa parte da população e normalmente causa grande constrangimento em seus portadores e nas pessoas que convivem com eles – que, geralmente, não sabem como reagir. Contar ou não contar? “É normal ter halitose durante algumas horas do dia, mas é fundamental saber diferenciar uma halitose fisiológica de uma patológica”, diz o cirurgião-dentista Hugo Lewgoy, professor titular da Universidade Anhanguera, em São Paulo. Ele prossegue: “A halitose comum, aquela que praticamente todas as pessoas têm, acontece pela manhã. Este tipo de mau hálito não é considerado um problema sério, pois é fisiológico, ou seja, está relacionado com o metabolismo do corpo humano”, esclarece o especialista.

Mas o Dr. Lewgoy ressalta que a halitose matinal deve desaparecer após a primeira refeição da manhã, seguida da higienização dos dentes e gengivas e higienização da língua (realizada com raspadores ou higienizadores linguais, veja quadro a seguir). “Se, mesmo assim, o problema persistir, pode realmente ser considerado mau hálito patológico – o que requer acompanhamento profissional. Na grande maioria dos casos, o problema tem origem na própria boca, principalmente na região localizada entre os dentes e na língua – nesta, devido à presença de saburra, um tipo de placa bacteriana lingual”. Já as causas extra-orais mais frequentes são as doenças da orofaringe, problemas bronco-pulmonares, digestivos, alcalose (aumento do pH dos fluídos do corpo), doenças hepáticas, diabetes, tabagismo e perturbações do sistema gastrointestinal, entre outras não tão comuns. “Na maior parte das vezes, o estômago tem pouca participação quando se fala em mau hálito. Normalmente, a halitose de origem estomacal só é comum durante rápidos momentos que podem ocorrer durante a regurgitação ou em casos de eructação (liberação de ar contido no esôfago e estômago)”. Claro: se a origem do problema não for bucal, uma orientação especializada deve ser buscada.

Descobrindo a causa

Na maior parte dos casos, o diagnóstico é feito mesmo pelo cirurgião-dentista. A investigação começa com o levantamento da história clínica do paciente, com a aplicação de um questionário detalhado. Depois, o profissional faz a avaliação de sinais e sintomas e, especificamente, analisa o ar expelido pela boca com aparelhos mais sofisticados, como o halímetro e o cromatógrafo gasoso – que fazem uma “radiografia” química do mau cheiro. “A investigação inicial inclui o exame detalhado da boca, da língua e da parte dental, em busca de sinais de higienização precária, gengivites e periodontite (doença gengival mais severa), além da saburra lingual. Após a conclusão dessa etapa, indicamos o melhor tratamento a ser realizado na clínica e orientamos como proceder no dia a dia, que inclui mudanças de hábitos, com a indicação de produtos, escovas e técnicas adequadas para higienizar a cavidade oral”, conclui o Dr. Lewgoy.

Mau hálito no idoso: um problema a mais

Boa higiene bucal, saliva adequada (em quantidade e qualidade) e o cuidado com a saúde em geral são fundamentais para prevenir o mau hálito na terceira idade, de acordo com a pesquisa da ABHA com 252 idosos em todo o país. O envelhecimento está diretamente associado às doenças crônicas, responsáveis pelo grande número de medicamentos consumidos – e essa é uma das principais causas da halitose na terceira idade, entre outras que apareceram na pesquisa “Mau Hálito no Idoso”. Muitos desses medicamentos, como antidepressivos e anti-hipertensivos, afetam a salivação e podem causar cáries, biofilme lingual (a popular saburra), boca seca e ardência. Queixa comum entre os idosos, a boca seca foi relatada por 70% dos entrevistados; desses, 45% disseram sentir a boca “sempre” seca. É um dos principais fatores do mau hálito, já que reduz a capacidade de autolimpeza bucal, favorecendo a ação de bactérias e a formação de compostos mal cheirosos.

Quase 70% dos idosos disseram roncar “sempre” ou “às vezes” – o que causa uma maior descamação da mucosa bucal, levando à formação da saburra. Embora uma das principais queixas relatadas por mais de 60% das pessoas tenha sido um gosto desagradável ou “metálico”, essa alteração não causa necessariamente mau hálito, embora possa deixar essa impressão.

Na boca, a causa principal

Cerca de 75% dos casos mau hálito têm sua origem num problema bucal, como gengivite e doença periodontal, formação da placa e acúmulo de resíduos nas próteses (que precisam ser limpas diariamente) e boca seca (xerostomia), que pode ser causada por problemas nas glândulas salivares e medicamentos.

Dicas do especialista contra o mau hálito

- Evite o jejum prolongado, que provoca o mesmo mau hálito gerado durante o período de sono.

- Higienize a língua diariamente com um acessório específico para tal fim, como higienizadores de língua de plástico, pois o processo de higienização oral não se limita apenas ao hábito de escovar os dentes.

- O enxaguatório bucal sem orientação pode contribuir para o aumento da halitose. A grande maioria dos enxaguatórios orais contém álcool em sua formulação, o que ajuda a aumentar a descamação das mucosas orais e pode até provocar uma diminuição do fluxo salivar, que está diretamente relacionada com a halitose.

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