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Novembro Azul. As armadilhas da próstata
09 nov '17

Foto: © pressmaster

Se Outubro é o mês Rosa da mama, Novembro é Azul – e da próstata. Se o câncer de mama é a forma da doença que mais afeta a mulher, o de próstata é o campeão de incidência entre os homens: um em cada seis homens é alvo da doença. Glândula do aparelho reprodutor masculino com a função principal de produzir o esperma, a próstata perde sua função à medida que o homem se aproxima da terceira idade – e já não tem planos de reprodução.

Mas é justamente nesse período que ela começa a dar problemas. Além de crescer indiscriminadamente, produzindo desagradáveis sintomas urinários na chamada Hiperplasia Benigna, aumenta exponencialmente seu risco de malignização. Em seu início, o câncer de próstata não dá nenhum sintoma – por isso é de suma importância a realização de exames periódicos de toque e de sangue, como alertam as campanhas do Novembro Azul. Aqui, o Dr. Sandro Faria, urologista do Núcleo de Cirurgia Robótica do Hospital Albert Albert Einstein/SP, fala sobre essas duas faces da próstata.

A “OBESIDADE” DA PRÓSTATA

Setenta por cento dos homens com mais de 50 anos, cerca de 14 milhões de brasileiros, têm a próstata aumentada – e os problemas decorrentes dessa hipertrofia.

Não é apenas a barriga que costuma ganhar mais medidas com o decorrer do tempo. A partir dos 50 anos, uma condição torna-se bastante comum entre os homens: o crescimento da próstata. Esta pequena glândula, de apenas 15 gramas e responsável pela produção do líquido espermático, chega a pesar até 120 gramas com o passar do tempo. É uma condição chamada de Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), a doença mais comum na próstata. De acordo com estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com mais de 10 mil homens em 11 estados brasileiros, 65% deles têm indícios de próstata aumentada. No mundo, o número chega a 72%.

“A hiperplasia prostática é um inchaço da glândula que obstrui parcial ou totalmente a uretra. A doença começa silenciosa, sem alardes, aumentando aos poucos a frequência de urinar. Com o tempo, pode causar dor e a sensação de que a bexiga nunca se esvazia, o que prejudica toda a vida do homem, que precisa ir ao banheiro várias vezes durante o dia e à noite. Ele não consegue participar de uma reunião, dormir a noite toda, ir à uma sessão de cinema ou viajar. Casos graves levam o homem à retenção ou incontinência urinária ou até a insuficiência renal”, explica o urologista Sandro Faria, que também atua no Hospital Vera Cruz e é um dos maiores pesquisadores sobre o tema.

Veja aqui dez dicas sobre a HPB, seu tratamento e prevenção:

1 - A chance de apresentar hiperplasia benigna dobra a cada década do homem. É a doença mais comum da próstata.

2 - A hiperplasia prostática prejudica a qualidade de vida do homem e muda sua rotina, afetando o desempenho no trabalho, no humor, no casamento, na vida sexual. O principal sintoma é o aumento da frequência para urinar.

3 - Algumas condições favorecem o crescimento da próstata: fatores genéticos, diabetes, obesidade e tabagismo. Ter uma vida saudável, com alimentação equilibrada e sem cigarro, pode ajudar a reduzir as chances de apresentar o problema. É importante também procurar o urologista com frequência após os 40 anos.

4 - O diagnóstico é feito pela história clínica e toque retal. O ultrassom e o estudo urodinâmico são necessários em alguns casos.

5 - O maior problema, segundo o especialista, é que a hiperplasia benigna ainda é negligenciada. “Há muitos casos de subdiagnóstico. Não temos dados estatísticos no Brasil, mas estima-se que, de seis milhões de homens que precisariam receber atenção ao problema, apenas 300 mil estão em tratamento”.

6 - O crescimento da próstata não evolui para o câncer de próstata. São patologias concomitantes, como enfisema e câncer de pulmão.

7 - Não foi comprovado que uma taça de vinho por dia ou alimentos como tomate e castanha, ao contrário do que vinha sendo divulgado, ajudem a prevenir a doença na próstata.

8 - Casos mais leves são tratados com medicamento e, de acordo com o Dr. Sandro Faria, 30% dos pacientes irão precisar de cirurgia para reduzir o tamanho da próstata. A cirurgia pode ser tradicional – de ressecção transuretral convencional para retirada de fragmento da próstata pela uretra – ou a laser, que vaporiza a próstata.

9 - O tratamento mais avançado no Brasil atualmente é a cirurgia a laser, não invasiva, sem limite para o volume de próstata, o que aumenta o número de pessoas beneficiadas pela cirurgia. A tecnologia chamada de GreenLight reduz o tempo de internação e recuperação, e o paciente tem alta em até 24 horas.

10 - O tratamento com laser verde é um avanço para pacientes com doenças do coração, que precisam utilizar drogas anticoagulantes e antes não tinham alternativas de cirurgia. Como o sangramento é mínimo, não há necessidade de suspender o medicamento.

CÂNCER DE PRÓSTATA

Uma luz no fim do túnel

O câncer de próstata é a neoplasia maligna mais frequente do homem, sendo responsável por mais de 30 % dos tumores malignos do sexo masculino. Estima-se que, no Brasil, um em cada seis homens irá ter diagnóstico do tumor prostático em algum momento da vida. Apesar de comum, ele é assintomático na sua fase inicial, por isso são importantes os check-ups de rotina. Os sintomas urinários (jato lento, frequência aumentada etc.) geralmente são decorrentes hiperplasia da próstata, como visto anteriormente. Até pouco tempo, se acreditava que substâncias naturais, como o licopeno (tomate), o selenium (castanha do Pará) e outras diminuíam o risco do câncer de próstata. Hoje, sabemos que possuem pouca ou nenhuma influência. Ao que parece, apenas a atividade física regular, o cuidado com a obesidade e a ingestão moderada de gorduras seriam fatores protetores.

O conceito moderno sobre prevenção do câncer de próstata leva em conta a estratificação de risco para o câncer de próstata. Ou seja, homens com diferentes níveis ou fatores de risco devem ir ao urologista para realizar sua prevenção com periodicidades diferentes. Se houver história familiar positiva (tio, pai, irmão ou avô com a doença), for obeso e o PSA (exame de sangue especifico da próstata) inicial for maior que 0,7 ng/ml, significa alto risco. Isso sugere a necessidade de uma avaliação semestral e o início dela até os 45 anos de idade. Caso não exista nenhum desses fatores, estamos diante de um homem com baixo risco. Nessa situação, a avaliação pode ser feita a cada dois ou três anos e ser iniciada apenas aos 50 anos.

Quanto ao tratamento, a cada dia há tentativa de desenvolvimento de novas técnicas minimamente invasivas, com o objetivo de curar e preservar a qualidade de vida. Atualmente, o método cirúrgico que melhor congrega esses resultados é a Cirurgia Robótica. Já consolidada nos EUA e na Europa, está em fase de franco desenvolvimento no Brasil.

Robô: o super herói da próstata

Após o tratamento do câncer de próstata, é muito comum surgir a dúvida entre os homens: terei uma vida sexual normal? Agora, a chance é alta – graças aos robôs cirúrgicos, tecnologia cada vez mais eficiente – e já uma realidade em grandes centros, como o Hospital Albert Einstein. “A realização da cirurgia robótica em tratamento de câncer de próstata preserva a capacidade do orgasmo em 88% dos homens com menos de 60 anos. Além disso, proporciona um risco reduzido de impotência, trazendo preservação da qualidade de vida e resultados oncológicos superiores”, resume o Dr. Sandro, um dos urologistas brasileiros com maior experiência nessa técnica.

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