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O natal da adaptação
06 dez '16

Foto: © oneblink1

Você percebeu que, este ano, a indústria colocou panetones nos Pdvs antes mesmo do Dia da Criança?

E que os shoppings já promoveram a chegada do Papai Noel no meio de novembro? Por que a pressa se sabemos que o brasileiro só se mexe para comprar na ultima quinzena de dezembro?

A diferença é que, no ano passado, estávamos ainda chocados com tanta noticia ruim e despreparados para o sufoco que viria à frente. Agora, já estamos nos adaptando ao novo cenário nacional e correndo atrás do prejuízo.

Os consumidores estão mais cautelosos e pagando suas dívidas, o que nos faz concluir que os que forem às compras serão disputados a tapas. Sua loja já está preparada para essa briga?

A farmácia é um dos pontos de venda mais visitados no mês de dezembro - o que nos torna uma grande opção de compras para o Natal. Mas a loja precisa cativar o olhar das consumidoras exatamente nos itens próprios para presentes. Como está sua vitrine? Já decorou com motivos natalinos? Montou uma linda árvore?

Colocou nas pontas de gôndola aqueles itens natalinos importantes? Kits de perfumes, maquiagem, produtos para bebês, infantis, novidades que estão na mídia e principalmente produtos para a saúde dos idosos e acamados? A loja sabe que não tem mais do que 10 minutos para impactar e reter o olhar de cada consumidor que entra ali para comprar algum outro item por impulso – além do que já está levando. É preciso chamar a atenção do cliente em cada ponto extra da loja e sugerir pacotes fáceis, que fazem sucesso e que têm bom preço.

O bolso do consumidor pode estar amarrado, mas o coração se abre no Natal ao ver uma linda decoração e alguma sugestão convidativa para presentear quem se ama.

Faça sua loja brilhar no quarteirão e em cada canto interno. Capriche nas ofertas e nos preços visualmente grandes – mas pequenos na quantia – que fazem arregalar os olhos e aguçam a curiosidade.

Não se acanhe e confie no espirito de Natal mesmo que bem antes da hora. Quem está se adiantando à data sabe que estará na frente, na mente do consumidor, na hora certa.

E o que esperar para o Ano Novo?

Quantas coisas inusitadas passamos este ano no Brasil e quantas mais vamos passar?

Estamos já nos reerguendo, nos adaptando e ficando mais fortes no modo de ver a nossa própria vida, o nosso mercado e o nosso país. Muita gente está passando apertado, sem esperanças e muita gente está se agarrando a uma esperança, numa possibilidade qualquer, já que somos o povo mais criativo e empreendedor do planeta.

Todos os movimentos do mercado trazem esse tipo de comportamento de consumo assustado que não víamos desde 1990. Para quem já passou dos 50 e viveu muitas crises, esta parece ser apenas mais uma. Mas, para a população jovem acostumada só a ver o mundo divertido pela tela do celular, o susto está sendo grande e isso vai servir de chamamento e de aprendizado.

As lojas que já trabalhavam no limite, e que nunca fizeram a lição de casa, já fecharam. Quem mais faturou este ano foi o vendedor de placas de aluga-se e vende-se. Agora, os que estão enfrentando a “marolinha tsunâmica” são os que conseguiram boiar e sobreviver, corrigindo seu rumo fora da velha zona de conforto.

Quando tudo está bem, vendendo de qualquer jeito, nos acomodamos à situação e paramos de enxergar as melhorias necessárias para manter e trazer mais consumidores para a nossa loja. Paramos de crescer em vários sentidos.

Cansei de ver loja, depois da Lei Cidade Limpa, sem uma placa nova na fachada. Cansei de sugerir para algumas lojas que fizessem um folheto, ou tabloide, pelo menos a cada seis meses. Cansei de ver farmácias expondo papel higiênico na porta como atração principal.

Vi muitas redes vendendo mais espaços do que produtos, mostrando que não controlavam bem seus estoques.

Vi redes fecharem grandes acordos com um só fornecedor, em detrimento das preferências de suas consumidoras. Vi e alertei para muita coisa errada – que nos tempos de fartura ninguém tinha tempo para corrigir. Agora todos estão fazendo a lição de casa esquecida, porque o medo está aumentando e nos preocupamos em acertar.

Com a chacoalhada e saindo da zona de conforto, muitos dos sobreviventes estão fazendo novas placas, pintando a fachada com cores mais chamativas, conferindo seus estoques, comprando só o que vende, aceitando a ajuda de bons fornecedores, arrumando suas gôndolas e vitrines, treinando seus funcionários e, finalmente, ouvindo e observando seus consumidores. Enfim, fazendo o que devemos fazer sempre.

Sim, os momentos de crise são também de oportunidade para os que querem acertar.

Neste Natal, quando cada um vai se agarrar às esperanças do Ano-Novo, em vez de ficar pulando sete ondas, ajude os que não têm esperança nenhuma para se agarrar.

Se sua loja está pronta para surfar nas próximas ondas de 2017, sinta-se feliz como um sobrevivente. O Brasil precisa de nós todos.

FELIZ NATAL E UM ANO NOVO CHEIO DE ESPERANÇA BOA!

Por: Regina Blessa é publicitária especializada em merchandising e presidente do IEV, Instituto de Estudos em Varejo. Autora dos livros Merchandising no PDV e Merchandising Farma, atua como palestrante e consultora para empresas e redes de varejo.
www.blessa.com.br / www.iev.net.br

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