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Para o segmento de medicamentos, a crise está passando de raspão
03 fev '16

Imagem: Br.Fotolia

É um dos poucos setores em que a redução nas vendas é diminuta: ainda estamos crescendo dois dígitos em comparação ao ano anterior.

A redução maior está na rentabilidade. Esta, sim, diminuiu, por vários motivos.

Com a desvalorização do real em nosso país, em comparação ao dólar, euro e outras moedas fortes, as indústrias farmacêuticas que importam matérias-primas, e a maior parte delas depende dessas importações, têm uma desvantagem imensa para repor seus itens de produção.

Não existe milagre: ou se suspende a fabricação, o que seria uma ação desumana num setor tão vital, ou paga-se para atender às necessidades dos doentes.

Alguns ainda sustentam que os fabricantes deveriam arcar com os prejuízos, mas essa política não é, evidentemente, aceita por empreendedores e investidores.

Quem é do ramo sabe que os medicamentos para uso humano sofrem tabelamento em todo o segmento: indústria, distribuição e varejo. O reajuste de preços é anual, apenas no último dia de março de cada ano e sempre abaixo da inflação do período apurado.

E os usuários de medicamentos, por sua vez, reclamam que estão pagando um preço mais alto em grande parte dos medicamentos de uso contínuo.

É preciso esclarecer que os medicamentos não subiram de preço. O fato é que os fabricantes estão reduzindo os descontos oferecidos e os varejistas, em suas compras junto às distribuidoras, não estão obtendo condições vantajosas como antes. Dessa forma, não podem oferecer mais vantagens a seus clientes, já que não têm margem operacional para fazer frente às despesas.

Em resumo, os medicamentos continuam com seus preços tabelados – mas a maioria dos descontos que eram concedidos aos usuários deixaram de ser oferecidos ou foram reduzidos.

Enquanto a desoneração de impostos foi estendida a diversos setores de produção e consumo, não houve financiamento, por parte de órgãos do governo, ao setor de produção de medicamentos, para modernização do parque fabril e pesquisa de novas moléculas.

Estão aí os exemplos da China, Coreia do Sul, Índia, Japão e outros mais, que passaram por dificuldades e as superaram.

Se o Brasil pudesse contar com governos, ministros, Congresso Nacional e outros órgãos na procura de soluções para as empresas que empregam trabalhadores, a crise estaria superada – com aumento de consumo. A mentalidade dos dirigentes do Brasil é querer se perpetuar nos cargos, deixando a população sujeita à própria sorte, satisfazendo-se com um prato de arroz e feijão por dia e nada mais.

Se forem oferecidas sabedoria, saúde e vida digna, o cidadão saberá escolher melhor seus representantes e o país voltará a ser cobiçado pelos investidores internacionais, que impulsionarão nosso desenvolvimento, trazendo mais bem-estar à população.

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