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Primavera. Explosão de alergias
11 set '17

Foto: © WavebreakmediaMicro

Setembro está aí e, com a redução nos índices de umidade do ar, cresce o número de espirros, tosses e alergias em geral. Na seca, há um aumento de até 40% na incidência de doenças respiratórias, principalmente as alérgicas – como asma, rinite, resfriados e gripe. E o problema deve se agravar ainda mais este mês de setembro, por conta da chegada da primavera e o aumento de pólen das flores no ar.

“Esse crescimento pode ser explicado por diversos fatores: umidade relativa do ar muito baixa, o próprio frio, que funciona como um fator irritante para as vias aéreas de algumas pessoas e a inversão térmica, que é responsável pelo acúmulo maior de poluentes na atmosfera”, afirma o Dr. Jaime Rocha, infectologista do Delboni Medicina Diagnóstica. A resposta alérgica é uma reação de hipersensibilidade do organismo quando as pessoas sensíveis a determinadas situações entram em contato com agentes desencadeantes, os chamados alérgenos, que provocam uma crise de doença alérgica. Cerca de 20% da população sofre de alguma forma de alergia. As formas alérgicas mais comuns são a asma (bronquite alérgica ou bronquite asmática), a rinite alérgica e as alergias cutâneas. “Entre os alérgenos mais conhecidos destacam-se a poeira domiciliar, ácaros, células da pele de animais, baratas, fungos, pólens, além de agentes irritantes, como fumo e poluentes”, acrescenta o especialista.

Rocha salienta que crianças de pais alérgicos têm maior probabilidade de serem alérgicas. “Crianças que possuem um de seus pais alérgicos têm 20 a 30% de chances de serem alérgicas, enquanto filhos de ambos os pais alérgicos já têm uma probabilidade de 60%”, afirma. Por outro lado, a alergia pode se desenvolver em qualquer fase da vida e, até mesmo, em pessoas sem histórico familiar. “Basta, para isso, que a exposição desse indivíduo a determinado alérgeno ultrapasse o seu limiar de tolerância”, revela o infectologista.

De acordo com o Dr. Jaime Rocha, além dos testes clínicos de provocação oral, com exclusão e reintrodução do alimento “suspeito” da dieta, existe hoje uma série de métodos para avaliação diagnóstica das alergias. Entre eles: testes alérgicos que podem ser de leitura imediata (de 15 a 20 minutos), intradérmicos de provocação ou de contato (resultado em 72 horas) e exame de sangue (dosagem de IgE total e específica). “Nesse exame de sangue são dosados anticorpos específicos contra uma grande variedade de alérgenos, como frutas, grãos, peixes e frutos do mar, proteínas de porco e vaca, ovos e laticínios, alérgenos inalantes, como pelos de animais, insetos, poeira e gramíneas, drogas, fungos e alérgenos ocupacionais”, finaliza o médico.

Como evitar as alergias

- Forre colchão e travesseiro com capa impermeável

- Retire tapetes e carpetes da casa, principalmente do quarto do paciente alérgico

- Limpe a mobília da casa com pano úmido com frequência superior a uma vez por semana

- Retire as cortinas, substituindo-as por persianas, que são facilmente limpas com pano úmido ou, em caso de cortinas de tecido leve, lave-as a cada 15 dias, no máximo

- Mantenha sempre a casa arejada e ensolarada

- Evite estofados recobertos com tecido

- Os aspiradores de pó utilizados devem possuir filtro HEPA

- Não fume dentro de casa

- Cobertores devem ser substituídos por edredons que possam ser lavados quinzenalmente

- Evite, no quarto do alérgico, objetos que acumulem poeira, como livros, revistas, brinquedos de pelúcia, caixas e quadros

- Evite cheiros fortes no domicílio como tintas, solventes, inseticidas, produtos de limpeza.

Testes para detectar alergia

Hoje já existe um teste, o chamado IgE específico, que pode identificar isoladamente o responsável por manifestações clínicas de alergia, sejam elas problemas respiratórios, cutâneos, alimentares ou até hipersensibilidade a drogas. De acordo com o Dr. Jaime Rocha, o IgE específico é uma ferramenta importante usada no auxilio do diagnóstico de alergia, quando há histórico clínico sugestivo. Esse teste pesquisa um único alérgeno e é feito por meio de um exame de sangue. Ele é indicado para avaliação de doenças atópicas (rinite alérgica, asma, conjuntivite alérgica, dermatite atópica) e manifestações possivelmente desencadeadas por anticorpos IgE, como anafilaxia por insetos, reações a alimentos e, eventualmente, medicamentos. De acordo com o especialista, a seleção dos alérgenos deve ser fundamentada pela avaliação do paciente, considerando o quadro clínico e a exposição a alérgenos de importância regional. Os laboratórios de análises clínicas disponibilizam as seguintes opções para avaliação de IgE específico: a) alérgenos isolados, individuais, como Blomia tropicalis, leite de vaca, veneno de abelha etc.; b) “pool” de alérgenos (exemplos: mistura de poeira domiciliar e ácaros domésticos, alérgenos infantis etc.; c) painéis de alérgenos relacionados (exemplos: painel de fungos, painel de gramíneas etc.).

Alguns dos alérgenos que podem ser avaliados em um teste são: abacate, gema e clara de ovo, abacaxi, glúten, abelha, grama, abóbora, grão de soja, algodão, alho, kiwi, laranja, ameixa, amêndoa, látex, lã, Amoxilina, leite, arroz, atum, maçã, aveia, banana, melão, barata, milho, mosquito, mostarda, peixe (bacalhau), carne de galinha, pelo de coelho, castanha do Pará, cebola, pó caseiro, queijo (cheddar), caspa de cachorro, salsa, uva, formiga, vespa.

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