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Repelentes. O fim da picada
06 dez '17

Foto: © glisic_albina

Com o verão, eles vêm com tudo. É sua época favorita para incomodar as pessoas, que, pelo calor, andam com partes do corpo descobertas – um convite ao ferrão dessas criaturas sedentas de sangue e transmissoras em potencial de inúmeras doenças infecciosas. Também é o período em que os repelentes – o único inimigo à altura desses insetos voadores – fazem mais sucesso nas farmácias e supermercados.

E como agem os repelentes? Eles têm como princípio ativo substâncias que entopem os microscópicos poros das antenas dos mosquitos quando eles se aproximam das pessoas. Com isso, os mosquitos perdem o rumo e não sabem mais onde picar – graças a essas substâncias que os deixam desnorteados. E nós, protegidos contra eles.

Quando sentem o cheiro de um repelente impregnado na pele de uma pessoa, o inseto reconhece algo tóxico ou um predador, um inimigo natural capaz de ameaçá-lo. A principal substância repelente é a DEET – base da maioria dos produtos hoje disponíveis. Criada pelas Forças Armadas norte-americanas para proteger os soldados de picadas, os repelentes com DEET passaram a ser vendidos para todo o mundo no final dos anos 50 – estando presente ainda hoje na fórmula da grande maioria das marcas.

Outra substância muito usada é Icaridina (ou Picaridina), derivada da pimenta e considerada a mais potente e eficaz pela OMS. É indicado para gestantes e crianças a partir de dois anos e sua duração média é de 10 h. Já o repelente IR3535 é o menos tóxico de todos e indicado para crianças a partir de seis meses. Antes dessa idade é recomendado apenas o uso de mosqueteiro e protetor elétrico para evitar alergias e intoxicações. Atenção: inseticidas não são repelentes e seu uso excessivo deixa o inseto mais resistente aos seus efeitos.

Também há no mercado repelentes feitos com substâncias naturais, como os de óleo de citronela, essência extraída de uma planta. Eles têm o mesmo princípio de ação do DEET e agradam às pessoas que não gostam de produtos artificiais. O problema é que funcionam por duas horas no máximo. A composição da fórmula desses produtos procura repelir a maioria das espécies, o que nem sempre é possível – por isso, podem falhar em alguns casos. Mas sua eficiência está sempre acima dos 90% de proteção. E, em muitas ocasiões, protege as pessoas de doenças graves – potencialmente mortais.

O Brasil vive uma epidemia de dengue desde 2014, e o clima tropical, aliado ao volume de chuvas, contribui muito para a proliferação do mosquito transmissor da doença – o Aedes aegypti, também condutor da febre amarela. As medidas de prevenção são muito importantes para controlar os surtos, mas não bastam as campanhas de prevenção ou inspeção dos agentes sanitários nos domicílios. O uso dos repelentes é indispensável para prevenir a picada do mosquito. Todos os repelentes devem ser aplicados pelo menos três vezes ao dia, segundo as orientações do rótulo. Devem ser associados a um protetor solar, aplicando-se sempre o repelente por último.

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