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Só prevenção garante eficiência
06 set '16

Foto: Photographee.eu

Estudos de países em desenvolvimento já indicam que, possivelmente, a geração atual viverá menos que seus pais. No Brasil, seguimos o mesmo rumo de nações que passaram por uma transição nutricional, da desnutrição para a obesidade.

A má alimentação, o sedentarismo, o consumo de cigarro e álcool colaboram para o aparecimento de doenças-diabetes e hipertensão, por exemplo- e acabam por sobrecarregar o sistema de saúde.

As doenças crônicas não transmissíveis, como são chamadas, respondem por 72% das mortes no Brasil. Só para tratar a obesidade, o SUS (Sistema Único de Saúde) gasta quase R$ 500 milhões por ano. É impossível vislumbrar um sistema público sustentável sem frear o avanço dessas enfermidades.

Ações práticas e simples de promoção à saúde também significam economia. Para mantermos uma rede capaz de atender a todos os brasileiros, é urgente investirmos na divulgação de hábitos saudáveis e no combate a doenças potencializadas pelos comportamentos de risco. Só assim vamos propiciar qualidade de vida e garantir a sustentabilidade do SUS.

O Ministério da Saúde, nos últimos dois meses, deu passos importantes. Avançamos, por exemplo, na retirada de sódio dos alimentos processados. Constatou-se, somente no último monitoramento, a eliminação de mais de 14 mil toneladas de sódio do mercado, equivalente a 52 km de caminhões cheios de sal.

Anunciamos mais um acordo com a indústria, agora para a redução do açúcar nos produtos industrializados. Levei para a reunião de ministros do Mercosul a necessidade de o consumidor ter mais informações sobre o que está comprando. A discussão para aprimorar os rótulos dos alimentos já está na agenda prioritária da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

No entanto, queremos ir além. Precisamos alcançar a população. Portaria publicada neste mês pelo Ministério da Saúde garante a oferta de alimentos saudáveis nas dependências da pasta e unidades vinculadas. Nesses espaços e em eventos com financiamento do ministério, a venda, promoção ou publicidade de alimentos processados, ricos em gorduras, açúcar e sódio, são proibidas.

Nosso desejo é reproduzir essa medida em todos os ambientes de trabalho do país. Convido os demais órgãos federais, Estados e municípios a aderirem ao plano de criação de ambientes saudáveis.

Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, financiado pelo Ministério da Saúde, revelou que 17,1% dos adolescentes brasileiros, de 12 a 17 anos, estão com sobrepeso e 8,4% são obesos. Entre os 20 alimentos mais consumidos por meninos e meninas, o refrigerante ocupa a sexta posição. As frutas nem sequer aparecem. Mais de 80% consomem sódio em excesso.

Para melhorar esse quadro, vamos propor ações voltadas aos estudantes. Trabalhamos em medidas legislativas que façam das escolas públicas e privadas os principais ambientes promotores da alimentação saudável.

Entre os adultos, os índices são igualmente preocupantes: a obesidade já atinge uma em cada cinco pessoas. Para termos um futuro mais saudável, devemos mudar agora.

Precisamos incentivar a prática de atividades físicas, a alimentação saudável, o controle do consumo de cigarro e álcool para obtermos um avanço significativo na saúde de todos os brasileiros.

Por: RICARDO BARROS é ministro da Saúde. Engenheiro civil especializado em políticas públicas, foi prefeito de Maringá (Paraná) e deputado federal.

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