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Vacinas do idoso. Quando (não) tomar
19 abr '18

Foto: © goodluz

A imunização do idoso contra uma série de moléstias, através de vacinas, é uma estratégia vital – numa idade em que ocorre, normalmente, um enfraquecimento no sistema de defesa. Por outro lado, essa queda também é um fator de risco para certas vacinas – como a da febre amarela, que voltou à berlinda com o atual surto.

Daí a importância de vacinar – mas sob supervisão direta do médico, que vai avaliar o estado de saúde e a imunidade do paciente. Eis, em detalhes, o calendário de vacinação da terceira idade, que segue as recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

1. Gripe

A gripe é a causada pelo vírus do tipo Influenza e, portanto, a vacina previne não só a gripe, mas também pneumonias, necessidade de hospitalização e o risco de morte causado por esses micro-organismos. Essas vacinas são constituídas por vírus inativados e fragmentados – portanto, sem risco de causar infecção. Entretanto, como são selecionados, para a confecção da vacina, 3 ou 4 dos vírus mais circulantes e perigosos do período, é possível que as pessoas já vacinadas se infectem por outros tipos de Influenza ou por vírus causadores de resfriados.

Quando: uma vez por ano, de preferência antes do início do outono, quando os vírus começam a circular com mais frequência e as chances de infecção aumentam.

Contra-indicação: história de reação anafilática ou alergia grave ao ovo de galinha e seus derivados. A vacina contra gripe é oferecida de forma gratuita pelo SUS.

2. Vacina pneumocócica

Esta vacina previne infecções causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, principalmente a pneumonia, assim como outras doenças graves, como meningite ou bacteremia, infecção generalizada do organismo. Há dois tipos de vacinas disponíveis para idosos – a Polissacarídica 23-valente (VPP23), que contém 23 tipos de pneumococos, e a Conjugada 13-valente (VPC13), que contém 13 tipos.

Quando: esquema com três doses, iniciando-se com a VPC13, seguida, após seis a doze meses, da VPP23, e uma outra dose de reforço da VPP23 após cinco anos. Se o idoso já recebeu uma primeira dose de VPP23, deve-se aplicar a VPC13 após um ano e agendar a dose de reforço da VPP23 após cinco anos da primeira dose.

Esta vacina é dada de forma gratuita pelo SUS para idosos com maior risco de infecção, como os institucionalizados, que vivem em casas de repouso comunitárias.

3. Vacina contra a febre amarela

Vital nos dias de hoje, sobretudo em habitantes de áreas endêmicas, pessoas com viagem marcada para áreas endêmicas ou sempre que houver exigência internacional, em área considerada sem risco. Mas deve-se evitá-la em idosos frágeis e com a imunidade comprometida. Nesse caso, há risco de reações graves – com quadro semelhante ao da febre amarela.

4. Vacina meningocócica

Fornece proteção contra a bactéria Neisseria meningitidis, conhecida como Meningococo, que é capaz de se disseminar pela corrente sanguínea e causar infecções graves, como a meningite e a meningococcemia. Como ainda não há muitos estudos científicos feitos com essa vacina em idosos, ela costuma ser recomendada em casos de maior risco, como em situações de epidemia da doença ou viagens para áreas de risco.

Quando: dose única, em casos de epidemias.

A vacina meningocócica está disponível somente em clínicas privadas de imunização.

5. Vacina contra herpes zóster

O herpes zóster é uma doença causada pela reativação do vírus da varicela, que pode permanecer alojado por vários anos nos nervos do corpo – e provoca lesões bolhosas, avermelhadas e muito dolorosas. É mais comum em idosos e em pessoas com imunidade enfraquecida. E, como pode ser muito incômoda e deixar sequelas dolorosas na pele que podem durar até anos, muitos idosos têm optado pela prevenção.

Quando: dose única, para todas as pessoas com idade acima de 60 anos.

Contra-indicação: pessoas com alergia aos componentes da vacina ou com a imunidade comprometida por doenças ou uso de medicamentos, como portadores de AIDS, câncer, em uso de corticoides sistêmicos ou quimioterápicos, por exemplo.

A vacina contra herpes zóster pode ser aplicada em clínicas particulares de vacinação.

6. Vacina tríplice viral

A vacina contra os vírus do sarampo, caxumba e rubéola é necessária em casos de risco aumentado para infecção, como situações de surtos, viagens para locais de risco, pessoas que nunca foram infectadas ou que não tenham recebido as duas doses da vacina ao longo da vida.

Quando: são necessárias apenas duas doses ao longo da vida, com intervalo mínimo de um mês.

Não está disponível gratuitamente para idosos, exceto em períodos de campanhas, sendo necessário dirigir-se a uma clínica de imunização privada.

7. Hepatite

A proteção contra a hepatite A e B pode ser eita com vacinas separadas ou combinadas, em pessoas que nunca foram vacinadas ou não têm registros de vacinas.

Quando: a vacinação contra hepatite B, ou a combinada A e B, é feita em três doses, no esquema 0-1-6 meses.

A vacina contra a B pode ser feita gratuitamente pelo SUS. Contra a hepatite A, só em clínicas particulares.

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