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Costurando o crescimento da empresa
08 fev '17

Foto: © Fotolia

Desde pequena, a moça se acostumara a conviver com tecidos, tesouras, agulhas e linhas de diversos padrões e cores. Sua mãe, exímia costureira, sustentava toda a família com muito trabalho e honestidade.

A moça casara com um frio empresário que gastava as energias com os negócios e dava muita importância ao que ela nem sempre julgava essencial.

Já estava acostumada a ver o marido cortar os passeios com os filhos por um almoço de negócios, já não aguentava ouvir o marido falar em mudança de planos, em trabalhos extra, sempre à custa da família... Isso sem falar nas inúmeras vezes em que foi cortada ao tentar argumentar, discutir os problemas do cotidiano...

Numa rara noite em que todos estavam em casa, a caçula começou a implicar com o irmão. O pai, sempre ocupado, não suportava o barulho e, sem querer ouvir ou entender a situação, mandou as duas crianças para o quarto, sem conversa.

A mulher simplesmente pegou sua caixinha de costura com alguns retalhos e chamou o marido:

– Agora não, meu bem!
– Agora sim, querido!
O homem, percebendo que não tinha escolha, sentou-se e ficou olhando os retalhos, a agulha, a tesoura, os carretéis de linha sem nada compreender.
– Meu bem, para que serve a tesoura? - perguntou brandamente a mulher.
– Para cortar, aparar...
– E a agulha?
– Para costurar, ora!
– Você consegue fazer uma colcha de retalhos só cortando?
– Na verdade, não faria de jeito nenhum - não sei costurar, lembra?
– Não estou brincando! Você já viu ou soube de alguma costureira que costura sem linha e agulha, só com tesoura?
– Claro que não.
– Minha mãe me falou um dia, quando meu pai nos deixou, que nossa família era como uma colcha de retalhos. Cada um de nós era um retalho colorido. Para que nossa colcha fique sempre bonita, precisamos usar a agulha e as linhas.
– E daí?
– Daí que você só sabe usar a tesoura. Corta nossos momentos de lazer, corta a minha palavra, corta o diálogo com as crianças. Você só separa, separa...
– Eu?
– Sim. Aprenda a unir nossa família. Aprenda a unir o seu trabalho à nossa família, unir os seus amigos aos meus... Qualquer dia você perceberá o quanto nos cortou de sua vida e talvez seja tarde.
O marido nada disse - sinal de que ia pensar, refletir. Mudanças demandam tempo.
– Não vou mais falar sobre isso. Só quero que você pense, tá? Estou no quarto das crianças. Vou costurá-las porque não quero dois retalhos tão importantes de minha vida separados. Boa noite!
– Boa noite.

Dali a meia hora o marido entrou no quarto em que brincavam as crianças, enquanto a mulher costurava uma bonita colcha de retalhos.

A cena enterneceu o homem e o fez juntar-se aos três. Abraçou-os e os levou para jantar.

(Do livro: Histórias que Motivam - Autor: Assis Almeida)


Nesses anos todos em que faço palestras, ministro treinamentos e dou consultoria, por diversas vezes ouvi empresários, gerentes e outros profissionais comentar que, apesar do sucesso profissional, não se sentiam felizes – isso porque não tinham tempo para conviver com a família.

Soube de outros que, após construírem um grande patrimônio, sofreram sérios problemas de saúde. Alguns tiveram até que vender o negócio, pois não tinham mais como cuidar dele.

Naturalmente também já vi situações opostas. Por exemplo, empresários que se dedicaram a tudo, mas muito pouco ao negócio. São aqueles tipos de pessoas que, como não conseguem definir prioridades, podem deixar a empresa no horário de maior movimento para cuidar de outros assuntos importantes, mas não prioritários naquele momento.

Nossa vida é como um conjunto de pedaços de tecidos, com cores e padrões diferentes, mas que, se unidos e costurados com planejamento, harmonia, equilíbrio e bom gosto, podem se transformar numa linda colcha de retalhos, muitas vendidas por altos preços. Em alguns países, costurar uma colcha de retalhos é uma importante tradição dos casamentos, na qual várias mulheres se envolvem para depois presentearem a noiva.

A vida de uma pessoa é semelhante. Se tudo estiver bem cuidado, nada fica prejudicado e o sucesso chegará mais facilmente e será muito mais gratificante. Como alguém pode ter sucesso, por muito tempo, se não cuida da própria saúde? Como aproveitar o patrimônio construído se a família se afastou e os amigos desapareceram?

A felicidade está no conjunto da vida, não apenas no patrimônio que acumulamos.

Ser feliz é ter um propósito, realizá-lo através do próprio empenho, sem nunca abrir mão de seus valores, e poder usufruir dele com as outras pessoas (familiares, amigos, colaboradores, etc.), com saúde e generosidade.

Muitos pensam da seguinte maneira: quando eu me aposentar ou acumular um bom patrimônio, aí, sim, terei tempo para aproveitar a vida; levar meus filhos para passear; fazer aquele curso que sempre tive vontade; e então serei feliz.

Aí eu pergunto: mas e até lá, como ficarão os outros componentes da sua vida? Não deveria ser o contrário? Dar atenção a tudo, de maneira equilibrada e ser feliz já?

E, para que tudo esteja equilibrado, é necessário ter disciplina, planejamento e administração do tempo, de tal maneira que, estando no trabalho, ele seja o foco principal de sua dedicação.

Mas, ao ir para casa, sua família seja a mais importante. Nada de ficar trabalhando no computador.

Sei que tudo isso é muito difícil, mas é necessário. Todos nós temos as mesmas 24 horas por dia, a sabedoria está em saber dividi-las de maneira que dê tempo para tudo: trabalho, família, saúde, autodesenvolvimento, etc.

O ano está começando: vamos traçar as nossas metas para 2017? Lembre-se que, para assimilar coisas novas, temos que abrir mãos de outras que estão ocupando espaço, quer na nossa vida ou no nosso guarda-roupa.

Temos que transportar a mochila com espaço, para podermos acrescentar todos os presentes que a vida nos dá, que às vezes, por falta de espaço na nossa mala, não conseguimos transportar.

Eu gosto muito de falar sobre vendas: não adianta ser um excelente vendedor e não estar de bem consigo mesmo.

“Ser feliz tem menos a ver com o que acontece a você e mais com o que você faz com o que lhe acontece.” (Marcelo Cherto)

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