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Volta às aulas. Deu piolho na cabeça
02 ago '16

Imagem: JorgeAlejandro

Sempre que a garotada volta pra escola, depois do regulamentar período de férias, aumenta a preocupação dos pais com os vários inimigos que mostram sua face em ambientes compartilhados – como as escolas. desencadeadas pelo contágio social – entre eles, os temidos piolhos. É só ver o filho coçando a cabeça para imaginar que o inseto possa ter infestado o menino na escola, com o início ou a retomada do convívio com outras crianças. O receio tem base científica: é justamente nesta época que surge a maioria dos casos de pediculose – a doença no couro cabeludo provocada pelos piolhos. Aqui, dicas de como evitar, descobrir e combater os valentes insetos.

O piolho é um inseto que depende do contato direto entre pessoas – e crianças normalmente têm esse espírito de congraçamento muito mais arraigado que adultos. E as meninas têm mais risco de contágio do que os meninos. Por quê? Quem responde é o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, Julio Vianna Barbosa: "O piolho não voa, o piolho não pula. Ele é um inseto, mas não tem asas para voar e não tem a perna adaptada para o salto como a pulga. Como é que se passa o piolho de uma pessoa para outra? Através de contato direto ou compartilhando objetos de uso pessoal. Por exemplo, pente, boné, prendedor de cabelo. Isso é extremamente comum nas meninas."

Barbosa ressalta que o surgimento de piolhos não está relacionado diretamente à falta de higiene, mas adverte que é importante evitar que as crianças compartilhem objetos, principalmente as meninas. A coceira na cabeça e no pescoço é mesmo o principal sintoma da pediculose, mas, para confirmar o diagnóstico, é preciso procurar e detectar não só piolhos adultos como as lêndeas, ou seja, os ovos deles nos fios e no couro cabeludo. A pesquisa não é difícil para uma mãe atenta, acostumada a pentear o cabelo dos filhos, sobretudo das filhas, todos os dias. Encontrados os bichinhos, a orientação dos dermatologistas é, além da lavagem preventiva dos cabelos, uma medida óbvia: procurar imediatamente um médico para que este prescreva os medicamentos mais adequados para o completo extermínio das lêndeas,além de orientação para a não-reinfestação. Mas, de início, e já pensando na população que não tem acesso imediato a serviços de saúde, o Ministério da Saúde recomenda o mais simples dos remédios antipiolho – água e vinagre, misturados a uma proporção de 50% cada.

Caçadoras das lêndeas perdidas

Julio Vianna ressalta: “É preciso deixar bem claro que a nossa cabeça não é salada para ser temperada com vinagre e água salgada. Você pega uma colher de vinagre, uma colher de água e mistura. Depois, pega um pedaço de algodão, molha nessa mistura, envolvendo dois ou três fios de cabelo pressionando da base para ponta, e faz uma pressão lentamente para remover as lêndeas. A fêmea do piolho utiliza uma substância que é semelhante a uma cola para prender a lêndea no fio do cabelo. Desta forma, como o vinagre é um ácido asséptico ele quebra essa substância." É um trabalho demorado, mas com bons resultados. Após a aplicação, enrola-se a cabeça da criança com uma toalha formando um turbante e, após meia hora, passa-se o pente fino no cabelo. Por fim, a cabeça deve ser lavada. Outra dica para retirar as lêndeas é aplicar bastante condicionador e depois usar o pente fino. A lavagem encerra o processo.

Remédios caseiros pode?

O pesquisador lembra que, no momento de tratar a doença, os pais devem evitar as famosas receitas caseiras e só usar medicamentos mais tóxicos, como xampus específicos, sob orientação médica. Algumas pessoas, como gestantes, por exemplo, não podem tomar qualquer tipo de medicamento. Por isso é importante consultar um profissional.

Infestação no pedaço

Também é preciso esclarecer que não adianta tratar apenas a criança contaminada, se ela convive com outras crianças, em casa ou na escola. Quando um caso de pediculose é confirmado, o ideal é checar se irmãos ou colegas de classe também estão com as cabeças infestadas. Se os contaminantes não forem tratados também, é possível que ocorra a reinfestação. As crianças de cabelos longos, volumosos e encaracolados são as mais suscetíveis à pediculose. Mas a maioria das escolas tem programas bem definidos de prevenção – com diretores e professores orientando os pais quanto aos melhores cuidados de prevenção.

Aula de prevenção

A prevenção exige atenção redobrada por parte de pais e professores. O recomendável é que as mães olhem a cabeça dos filhos com frequência. Além disso, é preciso observar o comportamento das crianças, tanto em casa como na escola, e procurar os piolhos quando a cabeça começa a coçar. Aos professores, cabe avisar a família quando há suspeita de contaminação. Os médicos alertam que é importante manter as unhas bem cortadas para evitar que piolhos se instalem sob elas e sejam transportados à cabeça de outras crianças. Além disso, quando as unhas causam pequenos ferimentos no ato de coçar a cabeça, abrem portas para a entrada de bactérias. Em alguns casos, quando a coceira é muito forte, os profissionais podem receitar medicamentos antialérgicos para amenizar o incômodo. De qualquer forma, lavar os cabelos diariamente, sobretudo no verão, é um hábito de higiene bastante recomendável e que não coloca em risco a saúde dos fios. O cuidado é redobrado quando a escola manda bilhetes avisando que crianças da mesma classe estão contaminadas.

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